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BMW i8: Janela para o Futuro

por em 12 Novembro, 2014
 

É inquestionável que, esteticamente, o novo BMW i8 é um dos automóveis mais desejados do momento, mas será que toda a estética futurística e componente tecnológica fortíssima conseguem criar aquele que será o primeiro dos supercarros do futuro? Esteticamente, sim, o BMW i8 é o exemplo perfeito de como um supercarro deverá ser feito daqui em diante, se tivermos em conta as questões ecológicas que têm um peso cada vez maior nos fabricantes mundiais.

Com apenas 1,3 metros de altura, dois metros de largura e uma estrutura totalmente em fibra de carbono e alumínio, o i8 consegue ter um peso de apenas 1540 kg, valor esse impressionante se tivermos em conta que mais de 200 kg são referentes às componentes eléctricas do mesmo, como o motor eléctrico dianteiro e as respectivas baterias. Existem diversos pormenores estilísticos que revelam um cuidado muito especial na aerodinâmica, tornando assim o i8 um automóvel único e capaz de chamar todas as atenções nos locais mais absurdos, como em plena auto-estrada, onde verificámos condutores que momentaneamente se esqueciam do Código da Estrada e utilizaram o telemóvel para tirarem fotografias.

Mas mesmo parado o i8 dá nas vistas, especialmente quando está com as portas abertas (abrem para cima), e deixam vislumbrar o interior futurista (o melhor de qualquer BMW em comercialização), bem como toda a estrutura em fibra de carbono perfeitamente visível, como acontece no caso da embaladeira, que, devido à sua elevada dimensão, faz com que a forma mais fácil de entrarmos no i8 seja um autêntico mergulho de pernas com os braços apoiados no tejadilho do mesmo, como se estivéssemos a entrar no General Lee (automóvel da série Dukes of Hazzard).

Motor Mais

No que toca à mecânica, o i8 está equipado com um motor de combustão de três cilindros e 1,5 litros de cilindrada, derivado do bloco utilizado nos novos Mini, mas que graças à sobrealimentação garante uma potência total de 231 cv. Este motor encontra-se colocado por cima do eixo traseiro, estando acompanhado de uma eficiente caixa de origem ZF de seis velocidades automática. A zona habitualmente usada pelo túnel do veio de transmissão encontra-se ocupada pelo conjunto de baterias de 7,1 kWh, sendo este fornecido pela Samsung, graças a uma parceria realizada pelos dois fabricantes no início do ano.

Esta bateria, em conjunto com o motor eléctrico de 98 kW (131 cv) colocado no eixo dianteiro (que funciona em conjunto com uma caixa automática de duas velocidades) garantem uma autonomia em modo totalmente eléctrico que pode chegar aos 40 km em condições ideais (circuito urbano), mas esse valor reduz-se significativamente quando o i8 é utilizado em estrada, uma vez que desaparecem as oportunidades para recuperação de energia nas travagens das situações de pára-arranca. Com uma potência total combinada de 362 cv, o desempenho do i8 é digno de um superdesportivo, uma vez que apenas precisa de 4,4 segundos para atingir os 100 km/h, com a vantagem de garantir, com uma condução moderada, consumos de apenas 2,1 litros por cada 100 km, o equivalente a apenas 49 gramas por quilómetro de CO2.

Uma vez que a BMW tenta equiparar o i8 ao Porsche 911, é perfeitamente normal que a nível de comportamento dinâmico o i8 não tenha conseguido satisfazer os condutores mais exigentes. Tendo em conta o curto (mas muito satisfatório) período em que me foi possível testar o i8, das poucas oportunidades em que consegui explorar melhor as suas capacidades dinâmicas, senti alguma falta de feedback imediato, ao contrário do que acontece com alguns superdesportivos de combustão, como o já referido Porsche 911 ou o excepcional Nissan GT-R. Não se tratou de problemas de falta de aderência, até porque este modelo vinha equipado com o pack “Pure Impulse” (que traz umas enormes e lindíssimas jantes de 20”), mas sim da ligeira sensação da existência de um minúsculo “lag” nos comandos, bem como da sensação de uma menor envolvência face a outros desportivos.

Atenção que isto não retira o mérito do i8, que, muito provavelmente, com uma mera actualização por software, poderá torná-lo ainda melhor (como já vimos acontecer com outros superdesportivos modernos). Independentemente desta questão, a ideia com que ficamos é que o i8 representa na perfeição aquilo que, daqui para a frente, serão os superdesportivos do futuro. Graças ao BMW i8, já podemos sonhar com um futuro mais sustentável, não só para o ambiente como para a carteira (no que toca aos consumos), embora os 156 mil euros pedidos por este modelo (138 mil para a versão base, sem extras) sejam tudo menos “sustentáveis” para os bolsos dos Portugueses.

Motor Prestações
Tipo Três cilindros em linha + Motor eléctrico Velocidade Máxima 250 km/h
Capacidade 1499 cc Aceleração (0-100 km/h) 4,4 s
Potência 362 cv (valor combinado) Consumos (litros/100 km)
Binário 570 Nm (valor combinado) Urbano (anunciado)
Transmissão Extra-urbano (anunciado)
Tracção Às quatro rodas Combinado (anunciada) 2,1
Caixa Automática de seis velocidades (motor de combustão) + Automática de duas velocidades (motor eléctrico) Emissões CO2 49 g/km
Chassis Preço
Dimensões (Comp. / Larg. / Alt.) 4689 / 1942 / 1298 mm Valor base €138 000
Peso 1485 kg Valor viatura testada €156 098
Bagageira 154 litros I.U.C. €130.10
Detalhes
 
Marca
Combustível
Positivos

- Estética brilhante
- Baixos consumos
- Funcionamento conjunto de ambas as motorizações sem falhas

Negativos

- Direcção tem comportamento estranho
- Som gerado demasiado artificial

Pontuação Motor+
 
Design
10

 
Interior
9.5

 
Desempenho
9.0

 
Consumos
9.5

 
Equipamento
9.5

 
Preço
7.5

Pontuação Final
9.2

Vote
Pontuação do Leitor
 
Design
9.9

 
Interior
8.3

 
Desempenho
9.3

 
Consumos
7.9

 
Equipamento
7.2

 
Preço
4.6

Pontuação do Leitor
12pontuações
7.9

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Resumo
 

O BMW i8 é, acima de tudo, a demonstração daquilo que os supercarros do futuro poderão ser, sendo bastante rápido, entusiasmante, eficiente e esteticamente apaixonante. Ainda existem algumas falhas, como a falta de sensações como um Nissan GT-R ou Porsche 911 conseguem transmitir directamente ao condutor, mas o caminho para um futuro sustentável será inquestionávelmente este.

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