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Model Y Performance: conduzimos o Tesla em modo ‘Louco’ e que nos fez lembrar do filme ‘Spaceballs’

©MotorMais | Tesla Model Y Performance©MotorMais

O Model Y Performance é de igual forma sério na sua vertente desportiva como divertido a trazer-nos à memória um dos spoof movies mais hilariantes de sempre.

Depois de entrar no “universo” Tesla, é difícil habituarmo-nos a outro qualquer automóvel eléctrico: as razões, já as explicámos com alguns detalhes no teste ao Model Y com que concluimos um ano de ensaios na MotorMais / TRENDY Report que nos meteu ao volante de quase cinquenta automóveis.

Tesla a fechar e Tesla a abrir: agora foi a vez de nos sentarmos ao volante de um dos mais potentes 100% EV à venda em Portugal, o Model Y Performance, que prova como um SUV eléctrico familiar pode, ao mesmo tempo, ser um exercício sério de desempenho e um automóvel que pisca o olho à cultura pop. Mas já lá vamos.

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Por fora, o “corpo” de 4,79 metros deste modelo não esconde as suas intenções: aqui há músculo, precisão e uma abordagem desportiva clara, embora sem cair em exageros. A pintura de série Cinzento Furtivo ajuda a manter esta sobriedade agressiva, enquanto as jantes 2.0 Arachnid de 21 polegadas em preto, com pinças em vermelho, nos dizem que a experiência de condução vai ser tudo menos enfadonha.

Ainda no exterior, a “narrativa” Performance da Tesla está nos detalhes: se, à frente, não se notam diferenças em relação aos outros Model Y, atrás o caso muda de figura. Aqui, temos um spoiler traseiro em fibra de carbono e um difusor integrado no para-choques que lhe dão um ar mais agressivo e funcional.

É também aqui que surge o badge Performance, com um grafismo de inspiração sci-fi, repetido nos bancos (imagem em cima). O logótipo evoca a aceleração extrema do warp speed de Star Trek, mas lembra igualmente as estrelas esticadas do hiperespaço de Star Wars. Contudo, a referência mais certa está quando entramos no menu ‘Dinâmica’ deste Tesla.

Aqui, há um modo de aceleração ‘Louco’ (‘Ludicrous’, em inglês) que é uma referência ao spoof movie Spaceballs, que se prepara para ter uma sequela. Esta referência não é de estranhar, até porque a versão ‘Plaid’ do Model S também se inspira de forma directa neste filme de Mel Brooks, de 1987 — é ver a cena em cima para perceber tudo.

Depois de escolher o modo ‘Louco’, o Model Y dispara para uma daquelas acelerações que nos deixam quase a sentir meia força G: são 460 cavalos que nos catapultam dos 0 aos 100 km/h em apenas 3,5 segundos, fruto dos prováveis 660 Nm de binário (a marca não divulga o valor oficial). É verdade que a autonomia WLTP fica nos 580 km, menos vinte face ao Premium AWD, mas aceitamos o compromisso.

Aqui, a prioridade chama-se ‘aceleração’ e tem como apelido ‘resposta imediata’. Ainda assim, para surpresa nossa, que o conduzimos cerca de 80% do tempo em modo ‘Louco’, os consumos combinados mantêm-se nuns respeitáveis 15,9 kWh/100 km. Como contexto, fizemos 312 km em percursos mistos de cidade, estrada regional e auto-estrada e, no final do teste, ainda tínhamos 169 km de autonomia.

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No carregamento rápido, esta é a versão mais lenta da gama Model Y. Quinze minutos rendem até 243 km, contra os 267 km possíveis no modelo que testámos no final de 2025. Isto não compromete o uso diário, sobretudo quando se junta à equação o planeador de viagens integrado, que sugere paragens em Superchargers sempre que a autonomia não chega ao destino. É uma funcionalidade inteligente, simples e eficaz, daquelas que deviam ser padrão em todos os eléctricos.

Por dentro, a diferença em relação ao Premium AWD sente-se de imediato. Os bancos do condutor e passageiro são desportivos (mais envolventes e com apoios lombares), têm inclinação eléctrica e extensão para as pernas, para um conforto extra, embora sem perder o “ADN” Performance. Depois, são aquecidos e ventilados, tal como se espera neste patamar, sendo que, na versão ensaiada, representam um custo-extra de 1200 euros, por serem em branco.

Já a oferta tecnológica mantém-se irrepreensível, tal como já tínhamos experimentado no Tesla. Temos dois carregadores sem fios para smartphones, cinco portas USB-C até 65 W e oito câmaras exteriores, o que garante um dos ecossistemas mais completos do mercado. Só queríamos mesmo ter acesso a CarPlay ou Android Auto, mas já percebemos que, tão cedo (na verdade, um eufemismo para ‘nunca’), Elon Musk não vai na nossa conversa.

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No áudio, encontramos o mesmo sistema da versão Premium AWD: 15 altifalantes e um subwoofer, com um palco sonoro amplo e potente. Neste automóvel, ouvir música de um serviço como o Tidal é quase como se estivéssemos naquelas antigas salas da Fnac, onde eram montados os melhores sistemas de som, para termos a experiência de quase estar num concerto ao vivo.

Outra mudança em relação ao Premium LR é o ecrã, ligeiramente maior, algo que, sinceramente, só demos conta porque vimos a lista de especificações com atenção: de 15,4 cresce para 16 polegadas e passa a ser um QHD (quad high definition), com resolução de 2560 x 1440, quando no modelo abaixo se fica pelos 1920 x 1200. Atrás, os passageiros continuam a contar com um ecrã de 8 polegadas dedicado.

No capítulo dos opcionais, a filosofia Tesla mantém-se minimalista, tal como no Premium AWD. Além do interior bicolor, só há dois pacotes Autopilot: o ‘Aperfeiçoado’, por 3800 euros, e o de ‘Capacidade de Condução Autónoma Total’, por 7500 euros (não permitido na Europa). De série, o ‘Básico’ já inclui Autosteer e controlo de velocidade de cruzeiro, suficientes para uma utilização tranquila e eficaz.

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Os 64 175 euros pedidos pelo Model Y Performance compram mais do que uma tabela de Excel com números de cavalos, binários e autonomia WLTP. Compram uma interpretação muito própria do que pode ser um SUV eléctrico rápido, tecnológico e, como também nos apetece brincar, consciente da melhor cultura pop.

Entre eficiência, aceleração brutal e um imaginário geek assumido, esta é a versão que transforma o Model Y num objecto de desejo para quem é fã de emoções fortes ao volante.