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#5 Brabus: conduzimos o grande (e potente) SUV que deixa para trás, de vez, o passado compacto da Smart

©MotorMais | Smart #5 Brabus©MotorMais

O Smart #5 Brabus é a prova definitiva de que a Smart já não é (nem deve voltar a ser) a marca dos automóveis urbanos minimalistas que durante anos definiu o seu ADN.

Já tínhamos percebido que, com o Smart #1, algo tinha mudado em definitivo com esta marca que nasceu de uma parceria entre a Mercedes e a Swatch. E dizemos ‘algo’ para usar um eufemismo, já que o que queremos mesmo dizer é ‘tudo’. Ainda assim, há rumores (bem confirmados) de que estará na calha um novo ForTwo

Na verdade, este é mesmo o maior Smart de sempre: tem quase cinco metros (4,7 metros) e assume-se sem complexos como um SUV familiar com capacidades de off-road. A versão de entrada começa nos 47 400 euros, mas o Brabus que conduzimos eleva a fasquia para um território completamente diferente, tanto em imagem como em prestações.

O preço base é de 62 400 euros, é AWD e a potência máxima chega aos… 646 cavalos, algo nunca visto, nem de perto, nem de longe nesta marca. Com a pintura Atom Grey Matte e um tejadilho Eclipse Black (mais 980 euros), taxas e despesas, a unidade testada chega aos 64 198,79 euros. Sim, não é um erro: sessenta-e-quatro-mil-euros por um Smart.

©MotorMais | Smart #5 Brabus
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Visualmente, o #5 Brabus assume uma postura robusta, com uma silhueta alta, linhas direitas e uma sensação de solidez que se impõe ao longe. A dianteira é marcada por uma assinatura luminosa horizontal com tecnologia CyberSpark LED+, que reforça a largura do SUV, enquanto os faróis lhe dão um «olhar» assertivo. O pára-choques volumoso e as protecções inferiores sublinham a sua ambição mais aventureira, num equilíbrio que consideramos bem conseguido entre sofisticação e resistência.

De perfil, o carácter outdoor misturado com um ADN desportivo é evidente: as cavas das rodas pronunciadas, as jantes Monoblock Z de 21 polegadas e a distância entre-eixos de 2,9 metros provam isso mesmo. Os detalhes específicos da versão Brabus, como os apontamentos em vermelho, são uma espécie de cereja no topo do bolo.

O Smart #5 é daqueles SUV que não tenta disfarçar o seu volume, mas, sim, assumi-lo com confiança. A bordo, percebemos ainda mais que esta ideia faz sentido, sobretudo para quem viaja atrás: o espaço para as pernas é muito generoso, com margem de sobra mesmo para quem for mais alto.

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Em termos de conforto, os bancos cumprem: em Alcantara e pele, transmitem luxo e conforto, são todos aquecidos, ventilados e reguláveis electricamente. Os comandos ficam nas portas, uma solução pouco comum a que se junta um outro detalhe inusitado: para abrir a mala, é necessário pressionar o centro da letra ‘a’ do logótipo Smart que está na porta da bagageira.

Aqui, não há rodeios: o ambiente é claramente Brabus. Os bancos desportivos ostentam o logótipo da Brabus e contam com bom apoio lombar; os cintos de segurança em vermelho reforçam o ADN desportivo, enquanto o volante desportivo em Alcantara, com pespontos vermelhos, aquecimento e um toque excelente, é um dos elementos mais conseguidos de todo o habitáculo.

Já o tablier é dominado por um painel horizontal que integra dois ecrãs tácteis de treze polegadas, o que cria uma forte sensação de largura e continuidade visual, muito na linha do novo IONIQ 5. Contudo, o ecrã dedicado ao condutor está colocado longe da posição de condução, o que obriga a afastar ligeiramente as costas do banco, uma crítica que já fizemos ao mesmo modelo da Hyundai e ao MG HS PHEV.

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O sistema de infoentretenimento é mais «adulto» que o do Smart #1, até porque aqui o assistente virtual é um leão. Ainda assim, os menus são extensos e densos, sobretudo nas áreas de ajudas à condução, onde as opções surgem divididas entre ‘Segurança’ e ‘Assistência’, o que complica a desactivação rápida de alguns sistemas.

Nas definições do veículo há, também, menus longos, com opções que poderiam ser resolvidas com comandos físicos, como a travagem regenerativa, que está a gritar por patilhas no volante, algo que consideramos essencial num desportivo deste calibre. Mas nem tudo está perdido: à esquerda do ecrã principal existe uma zona sensível ao toque com botões para alternar entre os modos de condução, ligar o desambaciamento do pára-brisas, a ventilação e um atalho rápido para os controlos de condução e segurança.

Já o ecrã do passageiro dianteiro tem uma vocação mais lúdica, permitindo ver filmes através de uma plataforma dedicada da Smart ou aceder directamente ao Spotify, muito na linha do que vimos no Xpeng G9. Contudo, aqui pedia-se uma integração com plataformas como a Netflix ou a Prime Video, para que a oferta fosse mais atractiva.

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Na consola central, vemos uma abordagem que segue uma filosofia limpa e funcional. Não há alavanca de velocidades tradicional (temos uma manete na coluna de direcção), nem outros botões físicos — o único serve para abrir o compartimento que está sob o apoio de braços. À disposição temos ainda duas bases de carregamento sem fios para smartphones e uma dupla de suportes para copos.

De forma geral, os materiais transmitem boa qualidade percebida, com superfícies suaves no topo do tablier, uma mistura equilibrada de Alcantara, plásticos e pele, e costuras contrastantes em vermelho, mais uma marca da preparação Brabus. Distintivo é, ainda, uma espécie de coluna de som que se eleva a meio do tablier, um toque emblemático do conjunto Sennheiser topo de gama, cujo desempenho acústico é envolvente.

Em condução, já desconfiávamos com o que podíamos contar: logo nos primeiros metros, a resposta ao acelerador impressiona. Com o ‘Launch Mode’ activo, os 0 aos 100 km/h surgem em apenas 3,8 segundos, com uma descarga de potência imediata e intensa. No modo ‘Brabus’ (que vai além do ‘Sport’), a entrega é quase abrupta, com um empurrão seco que nos cola o corpo ao banco.

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Até agora, a melhor experiência deste género que tínhamos tido tinha sido com o Model Y Performance, mas este #5, no mínimo, igualou o disparo do Tesla. Com uma bateria de 94 kWh, arquitectura de 800 V e carregamento DC até 400 kW, a Smart diz que o #5 Brabus consegue fazer dos 10 aos 80 % em cerca de dezoito minutos. A autonomia combinada anunciada é de 540 km e, em utilização real, registámos consumos de 22,7 kWh/100 km com 286 km percorridos, grande parte em modo Brabus.

Este Smart #5 é o maior, o mais potente e o mais caro Smart de sempre, mas não só: parece-nos ser também o mais completo, o mais tecnológico e o mais convincente enquanto SUV familiar eléctrico, embora por 64 mil euros as opções de outras marcas possam ser muito mais sumarentas, logo à cabeça as da casa-mãe Mercedes.