BYD lava a cara ao Atto 3: o best seller da marca torna-se Evo e fica com um ar mais “adulto” (mas também ficou mais caro)

Foi o primeiro automóvel que a marca começou a vender em Portugal, quando entrou no mercado nacional em 2023. Agora, três anos depois de o Atto 3 se ter tornado uma presença habitual nas estradas, chega a primeira… EVOlução. «É o modelo que vai revolucionar o segmento SUV», garantiu Pedro Cordeiro, COO da BYD, durante a apresentação oficial do modelo que aconteceu hoje, em Lisboa.
Assim, este SUV (que é responsável por «19,2% das vendas da marca, em Portugal» – é, por isso, o best seller da BYD, que vemos muito em “modo TVDE”) passa a ter uma nova designação. «O Atto 3 Evo não é apenas uma actualização de produto, é uma transformação do nosso modelo mais vendido», garantiu Francisco Silva (na foto, em baixo), responsável de product planning.

Uma das principais mudanças do Atto 3 está na adopção de um grupo propulsor no eixo traseiro (o original, que testámos em 2024, tinha tracção dianteira), uma solução até aqui reservada aos modelos topo de gama» da marca. João Queirós, head of sales da BYD, destacou ainda o novo sistema eléctrico deste SUV, que agora vem com uma bateria LFP de 74,88 kWh e arquitetura de 500 V.
Com todas estas mudanças, potência e autonomia também sobem: o Atto 3 Evo passa de 204 para 313 cavalos e a autonomia anunciada “salta” para os 510 quilómetros, enquanto a aceleração dos 0 aos 100 km/h é cumprida em 5,5 segundos. Já o carregamento rápido pode atingir os 220 kW. A «nova suspensão dianteira McPherson de pivot duplo, combinada com um esquema multilink no eixo traseiro», complementam o leque principal de mudanças técnicas.

As mudanças ao nível do design também não passam despercebidas. Apesar de o Atto 3 Evo manter as dimensões do modelo anterior, a frente adopta a linguagem de design Dragon Face, com aberturas mais rasgadas e angulares no pára-choques. Atrás, surgem novos elementos como um saiote desportivo em cinza claro e luzes de travagem duplas integradas no spoiler – não há dúvida que, atrás, este SUV tem um aspecto mais agressivo e desportivo que a versão anterior.
No interior, o SUV recebe um novo volante multifunções aquecido (semelhante ao do Atto 2) e um ecrã maior, de 15,6 polegadas, que substituiu o anterior de 12,8 e que também perdeu a capacidade rotativa. O painel de instrumentos também está maior: de 5,8 subiu para 8,8 polegadas. Entre outras mudanças mais notadas, temos a do selector de mudanças, que sai da consola central e passa a estar na coluna de direcção.
A conectividade também foi reforçada com a integração nativa da plataforma Google, que já estava no Atto 2 DM-i; Android Auto e Apple CarPlay sem fios, assim, como o recurso à chave digital NFC na app, são igualmente opções no Evo. Entre os novos equipamentos estão, ainda, um carregador sem fios Qi de 50 W com sistema de arrefecimento.

Primeiras impressões ao volante do Atto 3 Evo
Como é habitual nas apresentações da BYD, foi possível fazer um test-drive para avaliar o novo modelo e ter um primeiro contacto dinâmico com o Atto 3 Evo. A primeira sensação no interior é de maior qualidade, com materiais mais macios e utilização de pele vegan. As grandes saídas de ar centrais e laterais reforçam a sensação de modernidade do habitáculo – aqui, temos, claramente, um SUV mais adulto e com mais classe.
O sistema de infoentretenimento beneficia mesmo do ecrã maior, embora a organização dos menus continue algo confusa, principalmente ao nível de desligar os alertas ADAS. O painel de instrumentos continua a apresenta muita informação, com vários ícones a aparecer ao mesmo tempo: a BYD não gosta, decisivamente, de uma abordagem digital minimalista.
Tendo em conta a evolução que a BYD tem feito no design e na engenharia dos seus modelos, estamos sempre à espera de uma mudança em termos de UI/UX que teima em não aparecer. É pena que esta “EVOlução”, que também trouxe a Google para o habitáculo do Atto 3, não chegue ao sistema de infoentretenimento.

Como outros pontos positivos, destacamos a nova posição do selector de mudanças: ao ser colocado na coluna de direcção, revela-se mais prática de usar. Em condução, a mudança para tracção traseira é perceptível: de forma geral, o Atto 3 Evo parece estar mais potente e desportivo, com respostas rápidas mesmo no modo de condução normal. Contudo, não notámos diferenças evidentes entre ‘Sport’, ‘Normal’ e ‘Eco’ – nunca sentimos aquele kick habitual dos automóveis eléctricos a passar do último para o primeiro, por exemplo.
O mesmo acontece com a regeneração de travagem, que está limitada a dois níveis, ‘Padrão’ e ‘Alto’. Mesmo no modo mais intenso, não há uma grande sensação de desaceleração ao levantar o pé do acelerador, o que acaba por ter pouca influência no estilo de condução. Quanto a nós, a BYD perdeu aida uma boa oportunidade de colocar patilhas no volante para fazer esta gestão.

Finalmente, notámos que a retirada do grupo propulsor da frente permitiu também libertar mais espaço na frunk dianteira: na totalidade, com a bagageira, o Atto 3 ultrapassa os 510 litros, um bom número para um SUV que também se quer familiar.
No global, o Evo até pode ser visto como um típico ‘MY’, neste caso 2026, do Atto 3, embora as mudanças técnicas justifiquem minimamente a afirmação da marca: «Não é apenas uma actualização, é uma transformação». Contudo, achamos que a marca podia ter ido um pouco mais longe no que respeita ao ambiente digital. Já no design, sobretudo na traseira, o Atto 3 fica mais agressivo, desportivo e adulto.

Em Portugal, o Atto 3 Evo é vendido numa única versão, a Design, com preço de 43 990 euros (em vez dos 34 317 euros do modelo-base original). A BYD oferece garantia de seis anos ou 150 000 quilómetros para o veículo, oito anos ou 250 000 quilómetros para a bateria e seis anos ou 150 000 quilómetros para o sistema de tração. Refira-se que a marca oferece ainda uma wallbox na compra deste novo modelo.











