Tucson PHEV 1.6 e-Vanguard: conduzimos um dos “reis” europeus dos SUV que continua a ser um trunfo da Hyundai

O Tucson é um dos bestseller da Hyundai e, nesta versão PHEV, percebe-se que a marca coreana continua a querer seguir a “fórmula IONIQ”.
Este é um modelo que a Hyundai tem de tratar muito bem: o Tucson continua a afirmar-se como um dos SUV mais vendidos na Europa. Liderou as vendas no segmento C em 2021 e repetiu o feito em 2022 (segundo a própria marca), ano em que ultrapassou as 150 mil unidades e entrou no top 10 absoluto deste mercado.
Num segmento dominado por propostas muito fortes como o VW Tiguan, o Nissan Qashqai ou o Kia Sportage, este Tucson consolidou-se como um dos pilares da Hyundai no Velho Continente. Mas, nesta versão PHEV 1.6 TGDI AT e-Vanguard + TT (43 200 euros, já com a cor Sailing Blue a custar mais 650 euros), percebe-se que a marca coreana não quis apenas manter o ritmo a que já nos habituou.
Depois de termos conduzido o Tucson, vemos que a Hyundai quis também refinar a fórmula. E isto começa logo pelo design exterior, um dos mais agressivos e ao mesmo tempo belos dos SUV que temos conduzido ao longo do último ano.

Os seus 4,5 metros de comprimento são definidos por linhas rectas, a grelha frontal está melhor que nunca e as ópticas traseiras parecem garras a rasgar a carroçaria. Depois, as jantes de liga leve de 19 polegadas ajudam a dar um ar muito sólido ao conjunto,
Não tivemos a experiência de ver este Tucson pelo espelho retrovisor na faixa da esquerda de uma auto-estrada, mas se tivesse acontecido, o nosso impulso seria o de sair rapidamente da frente. E é ao volante que este Tucson começa verdadeiramente a mostrar ao que vem.
Debaixo do capot está um sistema híbrido plug-in que combina um motor térmico 1.6 TGDI com um eléctrico de 98 cavalos (72 kW), para uma potência combinada de 248 cavalos. Traduzindo isto para o dia-a-dia: há força mais que suficiente para puxar pelo Tucson.

A isto, soma-se a vantagem de ter até 71 km de autonomia em modo eléctrico, o que permite fazer grande parte das deslocações urbanas sem recorrer à gasolina. Mesmo em autoestrada, sentimos sempre este SUV muito económico. Resultado: terminámos o ensaio com consumos mistos de 4,1 l/100, um valor surpreendente para o registo de condução que adoptámos.
A experiência de condução divide-se entre dois mundos. No ‘Eco’, as patilhas atrás do volante servem para ajustar o nível de regeneração da bateria, com três níveis mais o modo ‘Max’, que se aproxima bastante de uma condução one pedal.
Em ‘Sport’, essas mesmas patilhas passam a assumir o controlo manual da caixa automática de seis velocidades. Aqui, contudo, sentimos a falta de um modo ‘Normal’, que faria a ponte entre entre estes dois extremos.

Passando a sério para o habitáculo, notamos uma tentativa clara de equilibrar os “pratos” da tecnologia e da usabilidade, uma que já bebe muito da linguagem mais recente da Hyundai, com referências evidentes ao IONIQ 5. Assim, este ambiente é-nos imediatamente familiar.
A consola central flutuante remete directamente para este modelo (o nosso automóvel do ano em 2024) e tem uma excelente organização de espaço: temos uma base de carregamento Qi, dois suportes para copos, um compartimento sob o apoio de braços e um conjunto de botões físicos que incluem o controlo dos modos ‘HEV/EV’ e de condução.
Pelo habitáculo, a qualidade está num bom nível, com superfícies macias em pele, tecido e poucos plásticos à vista. Os bancos em tecido são confortáveis, mas os apoios de cabeça com um formato de cone invertido destoam de tudo o resto. Não percebemos esta opção estética da Hyundai.

Em termos de interacção, domina o equilíbrio entre o digital e o físico. O ecrã táctil de 12,3 polegadas para o sistema de infoentretenimento mantém-se como centro das operações, acompanhado por uma fila de botões físicos para atalhos rápidos — ‘Mapa’, ‘Media’ e controlo de playlists/rádio, entre outros. Existe ainda um comando rotativo que faz isto mesmo e que, assim, acaba por ser redundante.
Logo abaixo, a zona de climatização está bem “resolvida”, com comandos dedicados para aquecimento dos bancos dianteiros, volante, desembaciamento e ar condicionado. É um dos pontos mais bem conseguidos do habitáculo, porque complementa o sistema digital sem complicar: é útil e as superfícies sensíveis o toque respondem bem.
O painel de instrumentos digital, também de 12,3 polegadas, segue a mesma lógica de clareza que a Hyundai tem vindo a consolidar com os seus modelos mais recentes: simples, com informação legível e sem excessos gráficos, nos antípodas das marcas chinesas.

Mas, ao contrário do que acontece com o IONIQ 5 mais recente, não existe um ecrã contínuo entre infoentretenimento e instrumentação. Aqui, continuam separados, como na primeira geração deste modelo, o que tira algum impacto visual ao conjunto.
No volante, a ergonomia é a típica da Hyundai: à esquerda, temos o controlo do cruise control e dos menus do painel; à direita, os de multimédia e um botão configurável com o símbolo de uma estrela.
Este último acaba por ser essencial para aceder rapidamente às definições dos assistentes de condução, sendo especialmente útil para desligar alertas, como o reconhecimento de sinais de velocidade. Temos ainda um segundo botão deste género na consola central, quando faria mais sentido concentrar tudo no volante.

Já o selector de marcha mantém-se na coluna de direção, com um manípulo grande e fácil de usar, uma solução que já se tornou imagem de marca da Hyundai, e que se mantém de fácil operação.
Menos conseguido é o sistema de rádio, com uma lógica de interacção que não ajuda: só é possível mudar de estação quando as rádios estão guardadas nos favoritos. Para percorrer todas as frequências, é obrigatório ter a aplicação de rádio aberta no ecrã principal, o que complica de forma desnecessária uma tarefa simples. Esta é uma daquelas coisas que as marcas têm de abolir rapidamente.
A ideia que partilhámos no início deste texto foi reforçada no final deste ensaio: esta geração do Tucson, aqui em ‘modo’ PHEV, é uma proposta muito sólida, apoiada num histórico forte e numa base técnica convincente. Há detalhes que não nos convenceram, mas no geral, é impossível não falar neste SUV como uma referência (talvez a principal) do seu segmento.











