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Land Rover Discovery TD6 HSE – Pronto para (quase) tudo!

A quinta geração do derradeiro OffRoader da Land Rover chegou, e apresenta-se como um excelente candidato ao SUV de família perfeito para quem gosta de aventuras. Mas terá argumentos suficientes face aos seus rivais, mesmo os existentes dentro da própria marca?

Revelado no Salão Automóvel de Frankfurt em 1989, o Discovery foi o primeiro modelo da então Land Rover destinado a um público alvo que procurava um veículo verdadeiramente todo o terreno, mas capaz de garantir um conforto aceitável para longas viagens em família, de forma significativamente mais acessível que o Range Rover.

Se na altura alguns consideraram que o Discovery não oferecia os mesmos atributos que o Range Rover, esses críticos rapidamente foram calados, com a organização da mítica prova Camel Trophy a utilizar o “novo” Discovery desde 1990 até 1997, em locais remotos como a Mongolia, Sibéria, Tanzania, entre outros.

Desde então muito mudou dentro do grupo Land Rover, com a venda do Grupo Rover para a BMW em 2000, que por sua vez vendeu a Land Rover à Ford, mas manteve a marca Rover até 2006, altura em que foi igualmente vendida à Ford. Em 2007 a Ford decidiu vender tanto a Land Rover como a Jaguar como um todo, com o Grupo indiano Tata a decidir apostar, e bem, criando assim a Jaguar Land Rover Limited, que se mantém até aos dias de hoje.

Voltando ao Discovery, este modelo teve na realidade três gerações, embora a marca anuncie como tendo sido cinco, com a chegada do novo modelo. A primeira, revelada em 1989, tinha a particularidade de ser, inicialmente, disponível apenas com três portas, por questões de rigidez da carroçaria, embora um ano mais tarde tenha sido lançado uma versão de cinco portas.

Em 1998 saiu a “suposta” segunda geração, que visualmente não diferia muito do original. A terceira geração chegou em 2004, com mudanças profundas face aos antecessores, mas mantendo elementos estilísticos que o mantiveram reconhecível, como os vidros traseiros elevados até ao tejadilho e o original portão traseiro desnivelado, por ser o local onde anteriormente se encontrava o pneu suplente.

Por fim, em 2009 chega o conhecido Discovery 4, que basicamente só se distinguia do seu antecessor, visualmente, pela implementação de uma grelha cromada e ópticas com futuristas. Felizmente as melhorias em termos de mecânica (motores, caixa de velocidades e suspensão) foram significativas, tal como nos interiores, tanto em conforto como na qualidade dos materiais usados.

Com a chegada da quinta geração, lançada no ano passado, o Land Rover Discovery diminui assim distância, em termos visuais, face ao Range Rover e restantes odelos da marca, ao estrear um visual claramente inspirado no já conhecido Land Rover Discovery Sport com formas bem mais arredondadas, e algumas mudanças em termos visuais, como a transformação das ópticas traseiras de um formato vertical para horizontal. Verdade seja dita, apesar de, nos últimos anos, a Land Rover ter conseguido lançar alguns dos SUV mais elegantes e deslumbrantes do mercado (como Range Rover, Range Rover Sport, Evoque e Velar), este Discovery não me conseguiu convencer…

Recorrendo a uma nova estrutura em alumínio, em vez de aço, permitiu cortar até 480 kg de peso, o que contribuiu, e muito, para o seu comportamento dinâmico em estrada. Ainda assim, estamos a falar num SUV com mais de 2,2 toneladas de peso. No interior, é notória a melhoria na qualidade de construção e dos materiais usados, embora, visualmente, o interior do novo Discovery não seja tão apaixonante quanto os modelos da série Range Rover.

Similar ao interior do Discovery Sport, o interior do Discovery é significativamente mais espaçoso, não só no espaço disponível para os ocupantes, como para a bagageira, gozando de um total de 258 litros com os sete lugares abertos, 1137 litros para quem queira usar apenas cinco lugares, ou 2406 litros com todos os bancos rebatidos. É curioso verificar como todos os bancos traseiros (segunda e terceira fila) podem ser rebatidos automaticamente através de um comando colocado na mala, que permite igualmente ajustar a altura ao solo para facilitar o acesso à mesma.

Nos lugares dianteiros encontrará comandos colocados numa disposição muito semelhante à do Discovery Sport, com os comandos rotativos da climatização e o ecrã do sistema de infoentretenimento, que neste caso em concreto é ligeiramente superior com 10 polegadas. Este ecrã revelou ser fundamental para o acesso a todas as funcionalidades dos diversos sistemas de assistência à condução, segurança e conectividade, mas o destaque terá sempre que ir para o obrigatório painel de gestão do sistema Terrain Response 2, embora este possa ser controlado, de forma básica, pelos comandos disponíveis junto à roda de selecção da caixa de velocidades.

Estes comandos permitem escolher entre um dos cinco modos disponíveis, que ajustam o comportamento do Discovery de acordo com os tipos de terreno, ao qual se junta a possibilidade de ajustar manualmente a altura ao solo. Existem ainda elementos como o bloqueio do diferencial traseiro activo, e os inúmeros sistemas de ajuda em declive, que tornam o novo Discovery num modelo referencial em termos de capacidades de todo-o-terreno no seu segmento, mas em estrada o resultado não é tão eficaz. Nestas condições, um Audi Q7, Mercedes GLE ou Volvo XC90 são superiores, mas depois perdem para quem pretenda fazer algo mais do que simplesmente subir passeios.

No que toca à motorização, o modelo testado vinha equipado com o poderoso bloco de seis cilindros e 3.0 litros de cilindrada diesel com 258 cavalos de potência e 600 Nm de binário máximo. Não muito distante do desempenho oferecido pelo novo SD4 de quatro cilindros, este motor V6 tem como vantagem a maior suavidade e linearidade da resposta de todo o binário disponível, mas em contrapartida sofre com a elevada carga fiscal e os consumos ligeiramente superiores.

Não lhe vou dizer que os consumos do TD6 são proibitivos face ao SD4, pois qualquer um dos motores irá sofrer (em termos de consumos, não disponibilidade) com a locomoção da carroçaria desde Discovery, pelo que se puder escolher entre as duas versões, a recomendação é obvia: TD6. Agora, e já que falamos em escolhas, se tivermos em conta que este Land Rover Discovery TD6 tem um preço base de 94.283 euros, porque não considerar antes o Range Rover Sport TDV6, com o mesmo motor, por 100.284 euros? Esta seria a minha escolha óbvia.

Ficha Técnica

Motor Prestações
Tipo Seis cilindros em V Velocidade Máxima 209 km/h
Capacidade 2993 cc Aceleração (0-100 km/h) 8,1 s
Potência 258 cv (3750 rpm) Consumos (litros/100 km)
Binário 600 Nm (1750 rpm) Cidade (anunciado) 8,3
Transmissão Estrada (anunciado) 6,5
Tracção Às quatro rodas Média (anunciada) 7,2
Caixa Automática de 8 velocidades Emissões Co2 189 g/km
Chassis Preço
Dimensões (Comp. / Alt. / Larg.) 4970 / 2073 / 1846 mm Valor base €94 283
Peso 2223 Kg Valor viatura testada €100 628
Bagageira 258 / 1137 / 2406 litros I.U.C. €766.83

Notas Finais

Design7.5
Interior8.5
Desempenho7
Consumos5
Equipamento7
Preço4.5

Gostámos

  • Capacidades Todo-o-Terreno
  • Equipamento
  • Conforto

A rever

  • Visual estranho
  • Preço

Conclusão

6.6O novo Land Rover Discovery consegue eclipsar todos os seus antecessor, seja em comportamento dinâmico, comportamento fora de estrada, conforto, equipamento e qualidade de construção. Mas o preço pedido torna-o demasiado proibitivo, ao ponto de o equiparar ao Range Rover Sport, que acaba por ser uma aposta mais segura em termos visuais, qualidade de vida a bordo e status. As versões com motorizações de quatro cilindros são significativamente mais equilibradas, mas menos atraentes em termos de condução.

Gustavo Dias