O que é um kei car, o automóvel que se tornou uma imagem de marca do estilo minimalista japonês?

Um kei car é uma categoria muito específica de automóveis no Japão, criada para tornar a mobilidade acessível a todos e fácil de usar nas cidades. São, inclusive, modelos definidos por lei.
Para ser considerado um kei car, o veículo tem de respeitar limites rígidos: não pode ter mais de cerca de 3,4 metros de comprimento, 1,48 m de largura e o motor não pode ultrapassar 660 cc nem 64 cv.
Em troca dessas limitações, os proprietários recebem grandes vantagens: impostos mais baixos, seguro mais barato, portagens reduzidas e, em muitas zonas do Japão, nem sequer é preciso provar que se tem um lugar de estacionamento. É por isso que estes modelos são tão populares em Tóquio e noutras cidades densas.
Apesar do tamanho, os kei cars são surpreendentemente engenhosos. Os fabricantes japoneses tornaram-se mestres em aproveitar cada centímetro do interior, criando carros com portas deslizantes, bancos rebatíveis, muito espaço em altura e uma sensação de habitabilidade que não corresponde às dimensões exteriores.
Os kei car faziam sentido na Europa e em Portugal?
A ideia de kei car faz hoje mais sentido na Europa — e em Portugal — do que em qualquer outro momento das últimas décadas. Quando o Japão criou esta categoria, fê-lo por razões muito concretas: cidades densas, pouco espaço para estacionar, rendimentos médios mais baixos no pós-guerra e uma necessidade clara de mobilidade individual barata.
Curiosamente, é exactamente esse cenário que a Europa urbana começa agora a viver, sobretudo no Sul: Lisboa, Porto, Barcelona, Milão ou Paris têm cada vez menos espaço, mais restrições ao trânsito, mais zonas de emissões zero e um custo de vida que torna um automóvel “normal” um luxo para muita gente.

Um kei car encaixa quase de forma cirúrgica neste contexto. Um modelo com 3,4 metros, estreito, leve, fácil de estacionar, com consumos baixos ou versão eléctrica, é muito mais lógico para quem vive em bairros antigos, com ruas estreitas, prédios sem garagens e deslocações diárias de poucos quilómetros.











