Entrevistámos Tiago Elias, country manager da Targa Telematics: «O que faz a diferença não são os dados, é a forma como os transformamos em insights accionáveis»

A Targa Telematics posiciona-se, hoje, como um dos protagonistas da mobilidade conectada na Europa, assumindo um «papel central» na digitalização de frotas através de soluções AIoT e de uma «plataforma digital aberta, modular e independente de hardware».
Presente em sectores como rent-a-car, transporte e logística ou frotas corporativas, a empresa identifica desafios comuns — eficiência, redução de custos, segurança e conformidade — mas responde-lhes com soluções especializadas, como a automatização da análise de dados de tacógrafo ou ferramentas de prevenção de risco baseadas em Agentic AI.
A evolução da telemática, sublinha o country manager, Tiago Elias, deixou de ser uma simples «caixa preta» para controlo e passou a ser um sistema inteligente de apoio à decisão, alinhado com RGPD e certificações como ISO 27001 e TISAX Nível 2. A aposta estratégica passa agora por «modelos preditivos e autónomos», por um «forte investimento em cibersegurança» (cerca de 30% do orçamento de TI) e por uma «rede alargada de parcerias com construtores automóveis».
Como é que a empresa define actualmente o seu papel num ecossistema de mobilidade cada vez mais dependente de tecnologia e que transformação mais relevante tem observado nos últimos anos?
A Targa assume hoje um papel central na evolução da mobilidade conectada, apoiando a transformação digital do sector através de soluções AIoT e de uma plataforma digital aberta, modular e hardware-agnostic. Esta plataforma permite integrar dados provenientes de múltiplas fontes — dispositivos próprios, de terceiros e dados OEM — e transformá-los em informação accionável para operações mais eficientes, sustentáveis e seguras.
Esta capacidade de integração é, aliás, um dos elementos que sustentam o reconhecimento internacional da empresa. A Berg Insight classificou a Targa Telematics como líder europeia no mercado de gestão de frotas pelo terceiro ano consecutivo, destacando a sua posição como a empresa com maior número de veículos conectados na Europa — cerca de 900 mil em 2024. Este marco reforça o papel da Targa Telematics como parceiro tecnológico de referência na digitalização da mobilidade.
Num contexto em que circulam cerca de 1,3 mil milhões de veículos em todo o mundo e em que 70% da população viverá em áreas urbanas até 2050, a conectividade e a análise de dados tornam-se essenciais para responder aos desafios ambientais, operacionais e económicos das organizações e das cidades.

A Targa Telematics trabalha com sectores muito distintos, do rent-a-car ao transporte e logística, passando pelas frotas corporativas. Que desafios específicos encontram em cada um destes segmentos?
Embora cada sector apresente particularidades, existem desafios transversais: aumento da eficiência operacional, redução de custos, reforço da segurança e mitigação do impacto ambiental. A tecnologia é a principal alavanca para responder a estes desafios.
No rent-a-car, a sazonalidade exige máxima disponibilidade operacional e a tecnologia é o catalisador de soluções em que somos especialistas e que apoiam o sector, em desafios como a passagem de fronteira, a cobrança de portagens ou a segurança dos activos.
No transporte e logística, a conformidade é um desafio muito relevante e, mais uma vez, a nossa solução Targa Tacho [imagem em cima] automatiza a recolha de dados do tacógrafo digital e analisa automaticamente infracções, reduzindo riscos legais e reforçando uma cultura de compliance.
Nas frotas corporativas, o maior desafio passa pela necessidade de soluções flexíveis e adaptáveis a diferentes perfis de uso, pelo que a personalização e o conhecimento de grandes frotas noutros países são um claro diferenciador, ajudando a optimizar a frota, apoiar políticas ESG, reduzir custos e emissões.
A recolha e análise de dados em tempo real são, hoje, centrais na tomada de decisão. Que tipo de dados é o mais crítico para os clientes da Targa Telematics?
Cada vertical de negócio tem necessidades distintas e valoriza, por isso, tipos de dados diferentes. De um modo geral, todos os dados recolhidos têm utilidade, mas o que verdadeiramente faz a diferença é a forma como são integrados, correlacionados e transformados em insights accionáveis.
A capacidade de cruzar diferentes fontes de informação é o que permite obter uma visão completa da operação e apoiar decisões mais rápidas e eficazes, independentemente do tipo de dados que cada solução ou vertical requer.
Durante muitos anos, a telemática foi vista apenas como uma “caixa preta” para controlar frotas. Hoje, fala-se de dados, inteligência e mobilidade conectada. Onde é que termina a optimização da frota e começa a resistência cultural das empresas e dos próprios condutores?
A resistência cultural é comum sempre que há mudança tecnológica. Contudo, é fundamental esclarecer que a mobilidade conectada não visa vigiar condutores, mas sim proteger activos, simplificar operações e melhorar a segurança.
A tecnologia da Targa Telematics está alinhada com o RGPD e com padrões internacionais rigorosos de segurança da informação, incluindo TISAX Nível 2 e ISO 27001, garantindo que o tratamento dos dados é seguro, proporcional e transparente.
Além disso, a adopção de Agentic AI permite antecipar comportamentos de risco e actuar preventivamente. Em 2025, esta abordagem contribuiu para uma redução de 12% dos roubos em frotas equipadas e o Smart Vehicle Protector demonstrou grande eficácia na prevenção de ocorrências potencialmente dispendiosas.

Quais são as grandes tendências que vão marcar a mobilidade conectada nos próximos cinco anos?
A Agentic AI é já uma realidade concreta e continuará, sem dúvida, a marcar de forma profunda o panorama da mobilidade conectada nos próximos anos. Este avanço tecnológico permite evoluir de uma lógica meramente reactiva para modelos de gestão mais autónomos, preditivos e orientados para a acção, preparando o sector para uma nova geração de eficiência e inteligência operacional.
Adicionalmente, devido à rápida transformação digital, a cibersegurança está também na ordem do dia e marcará os próximos tempos, por um lado pela sua complexidade técnica, por outro lado e, sobretudo, por se tratar de um activo estratégico fundamental para proteger o valor do negócio, garantir a continuidade do mesmo e preservar a confiança de clientes e parceiros.
Investir em segurança significa proteger dados, pessoas e infra-estruturas digitais, garantir a conformidade regulamentar e permitir a inovação tecnológica sustentável.
Por estas razões, a Targa Telematics optou por investir de forma significativa, dedicando aproximadamente 30% do seu orçamento de TI a um programa estruturado de cibersegurança, baseado na utilização das tecnologias mais avançadas disponíveis no mercado, em processos certificados e numa cultura empresarial focada na prevenção e na resiliência.
Que apostas estratégicas está a Targa Telematics a fazer para se manter relevante e competitiva neste cenário?
Estarmos presentes em diversos países representa uma vantagem estratégica significativa. Esta presença internacional permite-nos beneficiar de um know-how integrado, construído a partir de mercados com características e maturidades tecnológicas distintas, o que enriquece o desenvolvimento das soluções Targa Telematics e reforça o nosso posicionamento como parceiro tecnológico diferenciador.
Combinamos conhecimento global com uma actuação de proximidade local, garantindo que cada cliente recebe respostas adaptadas à sua realidade específica. Além disso, dispomos de equipas dedicadas à I&D, que trabalham continuamente na evolução da nossa plataforma digital e das nossas ferramentas analíticas. Promovemos também sinergias com a academia, colaborando com instituições que impulsionam inovação aplicada à mobilidade e à análise de dados.
Paralelamente, a Targa Telematics reforça a sua competitividade através do estabelecimento de parcerias estratégicas com a generalidade dos fabricantes de veículos, das quais se destacam Mercedes-Benz, Volkswagen, Audi, BMW, Volvo, Toyota, Lexus, Škoda, SEAT, Cupra, Kia, Tesla, Renault, FIAT, Jeep, Lancia, Alfa Romeo, Maserati, Abarth, Peugeot, Citroën, DS Automobiles, Opel.











