«Finalmente», o novo Micra eléctrico foi apresentado em Portugal: este modelo histórico quer voltar a ser um pilar da Nissan no segmento urbano

Mais de um ano depois de ter sido anunciado pela Nissan, o Micra foi, como sublinhou Pedro Sá, COO da marca em Portugal, «finalmente» apresentado, num evento dedicado à imprensa. Lembre-se que as pré-vendas começaram no final de 2025, pelo que este modelo acaba por fazer um percurso inverso ao habitual.
O Micra chegou, assim, primeiro aos clientes e só depois foi protagonista de um evento de apresentação. Desta forma, grande parte dos dados que os responsáveis da marca partilharam durante esta sessão já eram conhecidos há algum tempo.
Este regresso faz-se com uma base facilmente identificável e que não é segredo – apesar disto, o facto nunca foi mencionado pelos responsáveis da marca. O novo Micra é, na prática, um “irmão” do Renault 5 E-Tech: ambos partilham a plataforma AmpR Small e são produzidos na fábrica ElectriCity da Renault.

A gama arranca nos 27 750 euros com a versão Engage, equipada com bateria de 40 kWh, 120 cv e autonomia até 317 km. Segue-se a versão Advance, a partir de 29 750 euros, que já permite optar pela bateria de 52 kWh — aqui com 150 cv e até 415 km de autonomia.
No topo, a Evolve mantém esta configuração mais potente, com preço a partir dos 32 250 euros. Apesar da proximidade técnica, o Micra entra no mercado com um posicionamento de preço acima do Renault 5 equivalente, que arranca nos 24 900 euros.
Ainda assim, Filipe Nunes, gestor de produto da Nissan (foto em cima), sublinhou o facto de este modelo ser o mais competitivo do mercado em termos de preço pelo nível de equipamento incluído, algo em que, segundo o responsável, o E-Tech fica a perder.

«A apresentação do Micra é um passo muito importante para a Nissan em Portugal; trata-se de um modelo emblemático que surge completamente reinventado e que honra quarenta anos de história», afirmou Filipe Nunes. Já Pedro Sá deixou claro o enquadramento estratégico: «Micra, Leaf e Ariya mostram que estamos vivos na gama eléctrica; o próximo a ser apresentado será o novo Leaf».
Com menos de quatro metros de comprimento, o Micra posiciona-se claramente como um citadino, mas com uma presença mais robusta, «próxima de um mini-SUV». O design mistura elementos modernos com referências subtis ao passado, como as ópticas inspiradas na terceira geração.
Mas, na memória da maioria está o modelo de 1993 (o mais icónico desta gama), de onde o novo Micra não aproveita qualquer elemento estético. Na relação entre memória e design actual, o Renault 5 E-Tech porta-se bem melhor e consegue explorar isto de forma mais evidente.

Durante o test-drive que fizemos para ter um primeiro contacto com o novo Nissan Micra, a familiaridade com o modelo francês é imediata. A experiência de condução, a interacção com a plataforma digital e a interface são idênticas.
Para encontrar diferenças em relação ao Renault 5 E-Tech é quase preciso andar de lupa no habitáculo do Micra: notámos uma na textura do tablier e numa referência estilizada ao Monte Fuji na consola central (foto em baixo). Testado com a bateria de 40 kWh, o Micra revelou um desempenho competente, mas pouco expressivo mesmo em modo ‘Sport’, mantendo algumas das reservas já identificadas no Renault 5, como o apinhamento das manetes no lado direito do volante.
A proposta da Nissan aposta, assim, numa fórmula validada pela Renault: uma estética contemporânea com um toque retro. O look mantém minimamente o apelo retro-futurista do 5 E-Tech, mas o Micra parece-nos um modelo menos bem conseguido, em termos de revivalismo, que o automóvel francês.

Isto acontece porque o Renault 5 tem uma ligação directa ao modelo correspondente dos anos 90, enquanto este Nissan apenas se baseia no formato para usar este nome: não tem formas iguais ao Micra mais popular de sempre, lançado em 1993. Por isso, há aqui uma falta de ligação histórica que a Renault não tem.
Para 2026, a marca aponta a 640 unidades vendidas, com a versão Advance a representar «cerca de 80% do volume» (sendo que os outros 20% são divididos em partes iguais pela Engage e Evolve). Quanto ao posicionamento no segmento dos EV compactos, Pedro Sá aponta a um lugar «entre os cinco mais vendidos».











