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Volkswagen Golf R – O Automóvel Perfeito

Ainda em 2017 tive a oportunidade de conduzir a versão perfeita do brilhante Volkswagen Golf, a versão R, que tem a particularidade de ser a mais potente e radical, mas que consegue ser, ao mesmo tempo, a mais equilibrada. Pegando um pouco na história, a Volkswagen tem, desta a terceira geração do Golf, lançado um modelo ainda mais radical que o histórico GTI, tendo nessa geração sido designado de VR6, por usar um bloco de seis cilindros em V (com um ângulo muito reduzido) com 2.8 litros de cilindrada com 176 cavalos de potência.

Mais tarde, com a chegada da quarta geração do VW Golf, foi lançada a versão R32, que além de manter a utilização de um motor de seis cilindros, viu a cilindrada subir para os 3.2 litros, adicionando ao mesmo tempo um sistema de tracção às quatro rodas de origem Haldex, com 240 cavalos de potência, uma diferença significativa face aos parcos 150 cavalos da versão GTI (que usava o 1.8 Turbo de quatro cilindros). Este motor foi reutilizado na quinta geração do Golf, a última a usar a designação R32, tendo neste caso em concreto 250 cavalos.

Com a chegada da sexta geração, a Volkswagen decidiu optar pelo uso de uma variante do bloco de quatro cilindros 2.0 TSI do GTI, embora com o devido aumento de potência que permita diferenciar o Golf R do GTI, com este último a usar 210 cavalos face aos 270 cavalos do Golf R. Por fim, com a chegada da sétima, o Golf R viu a sua potência subir para os 300 cavalos.

Porém, 2017 ficou marcado pela renovação de praticamente toda a gama do Grupo Volkswagen, seja com o lançamento de novos modelos, como na renovação dos existentes, tendo o Golf sido alvo de um facelift, que permitiu introduzir ligeiras alterações estéticas, novas soluções tecnológicas, assistentes de condução e um novo aumento de potência para o Golf R, tornando-o ainda melhor.

Dando por terminada esta pequena introdução histórica, resta-me falar sobre o modelo que aqui testámos. Visualmente o novo Golf R difere ainda menos que a versão base do modelo pré-facelift, existindo apenas ligeiras alterações estéticas através da introdução de pequenos detalhes nos para-choques, ou na renovação dos elementos ópticos, como o facto de, finalmente, deixarem de existir ópticas dianteiras em Xénon, passando todos os elementos a vir equipados com díodos LED, sendo as ópticas traseiras escurecidas, como habitual em qualquer modelo Golf desportivo.

Cruiosamente, a Volkswagen não atribuiu uma cor específica para o R (vermelho para GTI, Azul para GTE), razão pelo qual o friso na grelha frontal, que tem continuidade para o interior dos faróis, ser meramente cromada, tal como na versão GTD. Para o distinguir dos restantes Golfs que circulam as nossas estradas, o Golf R incluí para-choques desportivos, com enormes entradas de ar dianteiras, um difusor traseiro embutido que incluí duas ponteiras duplas de escape e umas quatro enormes jantes de liga leve de 18 polegadas e pneus Bridgestone.

No interior as diferenças são mais notórias face a outros modelos, devido à introdução do novo volante desportivo com fundo plano (não exagerado, felizmente), pedais desportivos com capas metálicas, bancos em pele desportivos com um excelente apoio para as inevitáveis aventuras em estrada (ou em pista), em diversos elementos em alumínio, pele (com pespontos em cinzento) e fibra de carbono, como a manete da caixa DSG de dupla embraiagem.

Destaque para a incorporação do novo painel de instrumentos totalmente digital Active Info Display de 12 polegadas, e do novo sistema de infoentretenimento composto por um enorme ecrã táctil de 9,2 polegadas, que além de possuírem novas funcionalidades e um grafismo superior (graças à maior resolução), tem a particularidade de suportar os sistemas Mirror Link, Android Auto e Apple CarPlay. É igualmente neste ecrã que poderá escolher o modo de condução do sistema, como os habituais Eco, Comfort e Normal, ou o Race e Individual, permitindo estes últimos explorar melhor as reais capacidades desta combinação brutal.

Não me posso esquecer das novidades tecnológicas em termos de assistência à condução, como o cruise control adaptativo (ACC), que através do sistema Front Assist, permite travar automaticamente a viatura caso detecte um peão à sua frente. Este sistema poderá ser combinado com o opcional Traffic Jam Assist, que assume o controlo total da viatura (aceleração, travagem e direcção), de forma totalmente autónoma, em situações de trânsito (no para-arranca) até aos 60 km/h, ao contrário dos sistemas semi-autónomos, que só funcionam durante alguns segundos sem intervenção do condutor na direcção.

Mas foquemo-nos no essencial deste modelo, a sua condução. Estando perante um modelo equipado com um 2.0 TSI com 310 cavalos de potência e 400 Nm, disponíveis logo às 2.000 rpm, o Golf R surpreende pela impressionante capacidade de aceleração, como os parcos 4,6 segundos que demora para atingir os 100 km/h, ou a forma assustadora como consegue fazer recuperações até velocidades proibitivas para as nossas estradas (e legislação).

Ok, tecnicamente as nossas estradas não estão preparadas para automóveis com este nível de potência, mas um Volkswagen Golf também não deveria ser capaz de devorar curvas como este Golf R, fruto do excepcional trabalho da suspensão adaptativa DCC, do brilhante sistema de tracção integral permanente 4Motion, como da própria caixa DSG de dupla embraiagem de sete velocidades, que no modo desportivo ou manual “sabe” evitar uma passagem de caixa numa aceleração em curva.

A última vez que senti um comportamento similar foi aos comandos do Mercedes-AMG A45, visto ambos utilizarem a mesma fórmula, motor de dois litros turbo, mais de 300 cavalos, tracção às quatro rodas e caixa de dupla embraiagem com passagens de caixa absurdamente rápidas. Porém, onde o AMG pecou, o Golf R brilhou. É certo que quem compra um compacto desportivo com 310 cavalos não está propriamente a pensar nos consumos, mas é sempre bom saber com uma condução calma (que será certamente a maior parte do tempo) consegue registar consumos na casa dos 7 litros por cada 100 km, valor esse que pode rapidamente superar os 15 litros, caso pretenda tirar partido de tudo o que o Golf R tem para oferecer.

Já na questão conforto, o Golf R surpreendeu igualmente, sendo significativamente mais civilizado que modelos rivais, como o Ford Focus RS, o já referido Mercedes-AMG 45, Honda Civic Type-R e até Peugeot 308 GTI. Como tal, é perfeitamente aceitável justificar-se a compra de um Golf R perante a sua família como sendo o automóvel ideal para todos, alucinante para quando quiser conduzir sozinho, calmo e versátil para quando tiver que ir às compras ou fazer uma viagem com as crianças. Esta é a razão pelo qual considero o Golf R o Automóvel Perfeito.

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Ficha Técnica

Motor Prestações
Tipo Quatro cilindros em linha Velocidade Máxima 250 km/h
Capacidade 1984 cc Aceleração (0-100 km/h) 4,6 s
Potência 310 cv (5500 rpm) Consumos (litros/100 km)
Binário 400 Nm (2000 rpm) Cidade (anunciado) 8,7
Transmissão Estrada (anunciado) 6,0
Tracção Integral Média (anunciada) 7,0
Caixa Automática de sete velocidades Emissões Co2 160 g/km
Chassis Preço
Dimensões (Comp. / Alt. / Larg.) 4263 / 1465 / 1790 mm Valor base €54 850
Peso 1483 Kg Valor viatura testada €60 000 (aproximado)
Bagageira 343 / 1233 litros I.U.C. €235.59
Gustavo Dias