Grandis: conduzimos o SUV da Mitsubishi que se afirma pelo bom senso (quer nos consumos, quer no preço)

Como acontece com outros modelos da marca japonesa, temos aqui mais um SUV com ligação à Renault e que acaba por ser uma escolha mais racional que o seu primo, neste caso o Symbioz.
Depois de termos conduzido o Eclipse Cross, sentamo-nos ao volante de mais um Mitsubishi, desta vez um MHEV a gasolina, que volta a deixar bem vincada a ligação à aliança com a Renault, tanto do exterior (menos) como no interior (mais). E, para seguir uma tendência recorrente, o nome já não tem nada que ver com o original: de MPV, o Grandis passou a SUV.
Aqui, o modelo base é o Symbioz, com a marca japonesa a voltar a meter os seus pozinhos no design, mas de uma forma mais contida que no Eclipse, cujo primo francês é o Scénic. Ou seja, apesar de se notar o dedo da Mitsubishi, a ligação ao respectivo Renault é mais evidente.
Isto vê-se, sobretudo, atrás, onde as diferenças são praticamente zero, além das óbvias: o logo da marca e o nome do modelo, este último a mudar de sítio. Enquanto ‘Symbioz’ surge centrado na porta da bagageira, ‘Grandis’ aparece no canto inferior esquerdo.

A assinatura luminosa muda ligeiramente, mas a base é a mesma. Aqui, a diferenciação é mais discreta que à frente, pelo que o resultado é claro: o Grandis parece menos “disfarçado” visto de frente e mais “irmão directo” quando observado por trás.
Isto acontece porque, no lado oposto, o Grandis segue o ADN Dynamic Shield, com uma grelha mais marcada, ópticas verticais mais agressivas e um conjunto com mais contraste ligeiramente mais acentuado que o Symbioz. Digamos que, onde a Renault aposta na elegância discreta e contemporânea, a Mitsubishi responde com uma imagem mais assertiva.
A isto, temos ainda de adicionar as jantes de dezoito polegadas, que ajudam a compor um aspecto musculado. Particularmente bem conseguida é a cor Royal Blue, um azul profundo que marca a diferença: contudo, prepare cerca de 800 euros para ter este tom, um valor semelhante à cor correspondente do Symbioz.

Com 4,4 metros de comprimento, este SUV posiciona-se no segmento familiar, e isso nota-se logo no espaço. Só na bagageira temos 576 litros, um valor que encaixa bem no dia-a-dia de quem precisa de versatilidade. Se baixarmos os bancos, ficamos com 1682 litros, números muito aceitáveis para este segmento.
Debaixo do capot, encontramos o motor 1.3 Di-T MHEV de quatro cilindros a gasolina, com 140 cavalos. Na versão Intense que conduzimos, com caixa manual de seis velocidades, não notamos uma grande vivacidade, mas ao ligar o modo ‘Sport’ o Grandis desperta e já fica mais próximo das nossas expectativas.
A resposta torna-se, assim, suficiente para o tipo de utilização a que este Grandis se destina, com consumos anunciados na ordem dos 6 l/100 km. Mesmo em modo ‘Sport’, que usámos em cerca de 80% do nosso teste (o restante foi no modo ‘Eco’, mais pasteloso), terminámos o teste com 6,1 l, ao longo de quase duzentos quilómetros – aqui, a marca cumpre o anunciado.

Na estrada, o comportamento segue o que vem no papel: conforto, acima de tudo, e previsibilidade. Apesar de, no modo ‘Sport’, o Grandis ganhar mais “músculo”, não há surpresas, nem este SUV tenta ser mais que é: um familiar com muito espaço e conforto a bordo, onde só podemos criticar a falta de espaço de arrumação na consola central — o compartimento sob o apoio de braço é minúsculo.
No interior, acontece algo semelhante ao que sentimos no Eclipse: não há dúvidas quanto à origem, dado que o look and feel é completamente Renault. A Mitsubishi opta por diferenciar o exterior e manter o habitáculo praticamente intacto. Assim, temos o mesmo ecrã vertical de 10,4 polegadas, fluido, bem organizado, com base no sistema da Google, a que se junta Apple CarPlay e Android Auto.
O painel digital, de 10 polegadas, tem a mesma clareza e facilidade de operação que os Renault que já testámos; a semelhança com a marca francesa alarga-se ao volante e à concentração das manetes do limpa-vidros e dos comandos multimédia, à direita. Desta vez, salta a da selecção de mudanças, uma vez que temos, como é óbvio, uma caixa manual.

Como já referimos, os espaços de arrumação não abundam, mas por baixo do ecrã temos uma pequena bandeja mais escondida, onde podemos guardar tickets de portagens e/ou moedas, e a base Qi para carregar um smartphone por indução. A alternativa é usar as portas USB-C; duas à frente e mais duas atrás, ambas de fácil acessibilidade.
A versão Intense de caixa manual que conduzimos perde, relativamente à variante automática, elementos como o assistente de estacionamento automático, o MI-Pilot com cruise adaptativo e assistente de faixa e a consola central flutuante. Ainda assim, mantém um nível de equipamento sólido: bancos em tecido e pele sintética, vidros traseiros escurecidos e um conjunto completo de sistemas ADAS.
O bom senso entra em campo quando olhamos para o preço dos dois SUV: o Grandis, que chegou a Portugal na recta final de 2025, começa nos 31 990 euros e o único extra que podemos adicionar é mesmo a cor, na mesma lógica do Eclipse Cross. Já na Renault, o processo de configuração envolve mais passos e a versão correspondente, com os mesmos equipamentos, bate nos 34 500 euros.











