Como escolher o cabo de carregamento Tipo 2 ideal para o seu carro elétrico

Quase todos os carros elétricos vendidos em Portugal usam o mesmo conector, e quase todos os postos públicos são de tomada, sem cabo preso. Isso significa que o cabo pertence ao condutor. É o único componente que ninguém explica no concessionário, e aquele em que o número impresso na embalagem induz mais pessoas em erro do que informa.
O que a potência do cabo descreve
Os cabos Tipo 2 existem em quatro potências: 3,7 kW, 7,4 kW, 11 kW e 22 kW. Esses números descrevem os condutores lá dentro, ou seja 16 ou 32 amperes distribuídos por uma fase ou por três. Não descrevem aquilo que o seu carro vai consumir.
Qualquer carregamento decorre ao mais baixo de três valores: o que o posto consegue fornecer, o que o carregador de bordo do carro aceita e o que o cabo declara conseguir transportar. Este último está definido por uma resistência alojada no corpo da ficha, que o carro lê antes de circular qualquer corrente. Um cabo com uma classificação inferior à dos outros dois componentes limita a sessão, e nada no painel explica porquê.
O que a alimentação monofásica faz a esses números
As contas surpreendem neste ponto. Os valores em quilowatts pressupõem uma alimentação trifásica, e a esmagadora maioria das casas portuguesas é monofásica, normalmente com 3,45, 6,9 ou 10,35 kVA contratados.
Numa só fase, apenas a amperagem se mantém. Um cabo de 11 kW transporta 16 A e entrega portanto 3,7 kW em casa. Um cabo de 22 kW transporta 32 A e entrega 7,4 kW no mesmo carregador de parede. O cabo maior é o mais rápido numa instalação doméstica, ao contrário do que os nomes sugerem, e isto continua verdadeiro mesmo para um carro cujo carregador de bordo se fica pelos 11 kW em trifásico. Num posto público trifásico, esse mesmo cabo de 22 kW permite ao carro atingir os 11 kW completos.
A exceção são os carros cujo carregador de bordo é estritamente trifásico de 16 A e não aceita 32 A numa só fase. Para esses, o cabo de 11 kW é o correto e bastante mais leve, cerca de 2,5 kg em cinco metros contra uns 4 kg. A ficha técnica resolve a dúvida no capítulo do carregamento em corrente alternada.
O que a potência contratada acrescenta ao quadro
Os contratos domésticos portugueses são indicados em kVA, e os escalões monofásicos mais comuns são 3,45, 6,9 e 10,35. Carregar a 32 A, ou seja 7,4 kW, consome quase toda a potência de um contrato de 6,9 kVA e ultrapassa por completo aquilo que um de 3,45 kVA consegue fornecer. Na prática, a potência do cabo e a potência contratada têm de ser pensadas em conjunto: não vale a pena comprar para 7,4 kW se o quadro dispara aos 4.
Para quem carrega a partir de uma tomada e não de um carregador de parede, a solução passa por um carregador portátil com corrente regulável, em que a corrente se ajusta ao que a instalação pode ceder em vez daquilo que o carro aceitaria.
Os carros que ainda usam Tipo 1
O mercado de usados em Portugal ainda tem elétricos antigos com entrada Tipo 1: Nissan Leaf de primeira geração, Mitsubishi i-MiEV, os primeiros Kia Soul EV e o Peugeot iOn. O Tipo 1 é exclusivamente monofásico, não tem bloqueio mecânico e foi substituído em toda a Europa pelo Tipo 2, normalizado como IEC 62196-2.
Quem tem um desses carros não está excluído da rede pública. Precisa de um cabo Tipo 1 para Tipo 2, com a ficha Tipo 2 do lado do posto e o conector Tipo 1 do lado do carro. Quem estiver a comparar as duas normas antes de comprar um elétrico usado encontra as diferenças práticas explicadas neste guia sobre Type 2 vs Type 1.
A escolha do comprimento
Cinco metros chegam quando estaciona em marcha-atrás e a tampa de carregamento fica junto ao poste. Sete ou oito metros cobrem os dois sentidos de estacionamento e a maioria dos postes de rua em Lisboa e no Porto. Dez metros são para garagens partilhadas onde o carregador serve vários lugares e o cabo tem de contornar um pilar. Cada metro adicional é peso que levanta todos os dias, por isso o comprimento certo é o mais curto que chega mesmo.
Vale ainda a pena pensar no segundo cabo. Quem viaja com frequência acaba por ter dois: o Tipo 2 para postes e carregadores de parede, e um carregador portátil para tomadas em casas de férias, garagens de familiares ou oficinas. São objetos diferentes com funções diferentes, e a maioria dos condutores compra o segundo mais tarde do que devia.
Antes de comprar
Verifique o valor em corrente alternada no manual do carro e não o de carregamento rápido, já que o número grande da ficha técnica é quase sempre o de corrente contínua. Faça corresponder a amperagem e o número de fases a esse valor. Procure as marcações CE e TÜV, o grau IP67 e a secção dos condutores indicada na página do produto. Uma ficha de Voldt® Tipo 2 publica a secção dos condutores e o material dos contactos ao lado da potência; qualquer anúncio que não publique nem uma coisa nem outra está a descrever um preço e não um produto.








