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EX90 Plus: conduzimos o SUV gigante sueco da Volvo que é uma sala de estar sobre rodas e nos surpreendeu nos consumos

©MotorMais | Volvo EX90©MotorMais

Com sete lugares e um habitáculo luxuoso, o maior SUV da Volvo surpreende pela facilidade de condução e pelos consumos. Mas nem tudo é perfeito.

Mesmo com EX60 a ser dono do título de ‘nova coqueluche’ da Volvo, em Portugal, o EX90 continua a representar o topo da oferta de SUV eléctricos da Volvo e é, com o ES90, um dos automóveis mais sofisticados da marca sueca. Depois de termos conduzido o compacto EX30 e este sedan, chegava a vez de conhecer este “gigante” com mais de cinco metros de comprimento e capacidade para sete pessoas.

A versão ensaiada foi a Plus Single Motor, com tracção traseira e um preço que começa nos 92 260 euros, embora os opcionais da nossa unidade tenham elevado a factura final para uns “perigosos” 95 667 euros. O design segue a linguagem mais recente da Volvo, com superfícies limpas, linhas suaves e uma presença imponente que dispensa elementos demasiado agressivos.

À frente, destaca-se a nova interpretação da assinatura luminosa ‘Martelo de Thor’, agora com um desenho pixelizado, enquanto a traseira mantém a identidade da marca através dos farolins verticais, que também estão no EX60. A cor Vapour Gray (de série, mas não a mais atractiva) reforça este aspecto discreto, ao qual se juntam as jantes de vinte polegadas com cinco raios em preto brilhante e acabamento diamantado. Os vidros traseiros escurecidos, um opcional de 523 euros, completavam o visual da nossa unidade de teste.

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No interior, a Volvo mantém a filosofia minimalista que já conhecíamos do EX30, mas com um nível de requinte mais próximo do ES90. A madeira no tablier, as superfícies revestidas a materiais macios e a ausência de plásticos duros nas zonas de contacto criam um ambiente bastante acolhedor. Não há botões para AC ou para seleccionar o modo de condução, nem elementos decorativos desnecessários; o luxo, para a Volvo, também é isto, a ausência de comandos analógicos.

A consola central é um bom exemplo desta simplicidade. Temos uma base de carregamento sem fios Qi (que nem sempre funcionou bem), dois porta-copos escondidos por uma pequena tampa retráctil e um comando multimédia que concentra as funções de volume, pausa, reprodução e mudança de faixas / estações de rádio. É uma solução prática, que permite controlar a música sem recorrer constantemente ao ecrã central, mas haveria outras funcionalidades que mereciam ter direito a um comando analógico.

O sistema de som Bowers & Wilkins merece-nos uma referência especial, tanto pela qualidade sonora como pelo cuidado estético. Temos colunas nas portas, protegidas por grelhas metálicas muito bem trabalhadas e, na parte superior do tablier, encontramos um pequeno altifalante central que parece inspirado num motor a jacto. Há ainda os modos de som Abbey Road, que permitem recriar diferentes ambientes de gravação, uma funcionalidade que já tínhamos experimentado no ES90.

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Em linha com o ambiente de sala de estar, os bancos dianteiros estão entre os mais confortáveis que experimentámos este ano; aqui, o “nosso” EX90 tinha os estofos em couro Nappa ventilado Dawn, um opcional de 2645 euros, que eleva a sensação de luxo do habitáculo. Além da ventilação e do aquecimento, os bancos oferecem um bom apoio lombar e há uma extensão da base para acomodar melhor as pernas. O resultado é uma posição de condução muito agradável, especialmente em viagens prolongadas.

Na segunda fila, o espaço disponível é impressionante. Há três lugares individuais, com a possibilidade de utilizar um apoio de braços central, e uma sensação de amplitude que aproxima esta zona de, lá está o cliché, uma pequena sala de estar – não nos ocorre uma metáfora melhor. Os passageiros têm portas USB-C e um ecrã próprio para controlar a climatização traseira, sem depender de quem segue à frente. Já que mencionamos estes detalhes, este EX90 vinha com o Pack Climate (mais 763 euros).

A terceira fila acrescenta dois lugares com espaço q.b. (talvez mais para crianças), pelo que o EX90 permite transportar até sete pessoas. Naturalmente, com todos os bancos levantados, a capacidade da bagageira fica bastante limitada. Aqui, fica uma boa opção tecnológica que torna esta gestão mais prática: existem botões que permitem levantar ou rebater electricamente os bancos da última fila, sem necessidade de recorrer a patilhas ou de os movimentar manualmente.

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No habitáculo, a insonorização é outro dos pontos fortes deste SUV de grandes dimensões. O EX90 isola muito bem os ocupantes dos ruídos exteriores e transmite uma sensação de tranquilidade quase absoluta. É como viajar dentro de um casulo, com os materiais, o conforto dos bancos e a ausência de vibrações a contribuírem para uma experiência particularmente relaxante.

A plataforma de infoentretenimento baseada na Google continua a ser um dos grandes argumentos tecnológicos dos EX. Além do Google Maps, encontramos aplicações nativas como Apple Music e Spotify, mas aquilo que mais impressiona é a rapidez e simplicidade do sistema. Os menus respondem imediatamente, estão organizados de forma lógica e permitem encontrar as definições sem perder tempo em submenus desnecessários.

Um exemplo está na gestão dos alertas de assistência à condução, que noutros automóveis podem tornar-se bastante irritantes. No EX90, conseguimos aceder facilmente às respectivas definições e desactivar vários avisos. Na unidade que testámos, algumas destas preferências mantiveram-se mesmo depois de desligarmos e voltarmos a ligar o automóvel, algo que nem sempre acontece nos modelos mais recentes e que acaba por facilitar bastante a utilização diária.

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O painel de instrumentos, colocado numa posição baixa e visível por cima do volante, também roça a perfeição. É compacto, apresenta a informação essencial de forma clara (talvez falte mostrar os consumos em tempo real) e permite alternar entre mapas e representações gráficas dos veículos detectados pelos sensores exteriores. A rapidez destas transições é impressionante: foi um dos painéis digitais mais ágeis que experimentámos este ano.

Curiosamente, esta facilidade de utilização não se estende aos comandos do volante. Os botões permitem tanto uma actuação por pressão como por contacto prolongado, mas nem sempre é evidente a forma correcta de activar cada função. Tivemos, por exemplo, dificuldade em perceber o funcionamento dos comandos do cruise control, com símbolos pouco esclarecedores e botões de mais e menos que não responderam como esperávamos. É um contraste evidente com a excelente organização do sistema multimédia e um aspecto que merecia uma solução mais intuitiva.

Apesar dos mais de cinco metros de comprimento, o EX90 é surpreendentemente fácil de conduzir. A direcção é muito leve, as respostas são suaves e a sensação ao volante está longe daquela que normalmente associamos a um SUV destas dimensões. Podemos escolher entre três níveis de assistência da direcção — ‘Suave’, ‘Standard’ e ‘Firme’ — mas, mesmo na configuração mais exigente, este automóvel tem uma personalidade claramente orientada para o conforto.

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A Volvo também simplificou a escolha dos modos de condução. Em vez das habituais opções ‘Eco’, ‘Normal’ e ‘Sport’, encontramos apenas ‘Normal’ e ‘Off-road’; não há, sequer, patilhas no volante para ajustar a regeneração de energia. O que não falta são vários níveis do sistema One Pedal Drive, acessíveis através do ecrã central: ‘Baixo’, ‘Alto’ e ‘Automático’.

No nível mais intenso, a desaceleração é bastante pronunciada assim que levantamos o pé do acelerador. Já no modo automático, o EX90 adapta a resposta às condições do trânsito e à presença de veículos à frente, o que permite reduzir a utilização do pedal do travão em várias situações. Pelo que pudemos ver, é uma funcionalidade especialmente agradável em percursos urbanos.

O motor eléctrico instalado no eixo traseiro desenvolve 245 kW, suficientes para levar este SUV dos 0 aos 100 km/h em 6,8 segundos. Não é um automóvel que transmita uma personalidade desportiva, nem parece ter sido esse o objectivo da Volvo, como sabemos. O que impressiona é a facilidade com que responde ao acelerador, sem brusquidão e com uma suavidade que torna a condução muito natural.

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Há, contudo, um detalhe exterior que, no nosso entender, prejudica a experiência de condução: os retrovisores. Têm um formato triangular e uma superfície relativamente pequena, o que limita o campo de visão lateral; em mudanças de faixa ou quando precisamos de observar melhor o trânsito à esquerda e à direita, sentimos falta de espelhos mais largos e alongados. Num automóvel desta dimensão, esta opção estética não nos parece particularmente feliz.

A versão Single Motor do EX90 vem com uma bateria de 92 kWh que promete uma autonomia de «564 km em ciclo combinado WLTP», valor que pode chegar aos «749 km em ambiente urbano». A Volvo indica um consumo médio de 18,6 kWh/100 km, mas os resultados que obtivemos durante o teste foram consideravelmente melhores… e surpreendentes.

Ao longo de 350 km, registámos uma média final de apenas 14,8 kWh/100 km, um valor particularmente interessante para um SUV eléctrico com estas dimensões, sete lugares e um nível de equipamento tão elevado. Na verdade, isto é uma diferença de 3,8 kWh/100 km face ao consumo anunciado, ou seja, cerca de 20% abaixo do valor oficial. É obra: este resultado demonstra que, apesar do tamanho e do posicionamento do EX90, é possível obter uma eficiência bastante interessante numa utilização real.

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O Volvo EX90 impressiona mais pela experiência de utilização geral do que pelos números da ficha técnica. O habitáculo luxuoso, o conforto dos sete lugares, a excelente insonorização e a facilidade de condução fazem deste SUV uma proposta particularmente convincente no mercado actual dos SUV eléctricos de grandes dimensões, onde também está, por exemplo, o Leapmotor C10.

A tecnologia também está muito bem integrada, sobretudo no sistema de infoentretenimento e no painel de instrumentos, embora os comandos do volante e os pequenos retrovisores estejam uns furos abaixo. Com um preço final de 95 667 euros, o EX90 está longe de ser acessível, mas oferece uma experiência de condução refinada e consumos que superaram claramente as nossas expectativas.