Grande Panda La Prima Eléctrico: conduzimos o FIAT que faz virar cabeças e nos lembra porque gostamos de automóveis simples

Num mercado onde muitos automóveis parecem ter saído do mesmo molde, voltamos a reforçar algo que já tínhamos notado em 2025: a sua identidade retrofuturista é uma lufada de ar fresco.
Depois de termos conduzido o Grande Panda Híbrido no final de 2025, chegou a vez de passar alguns dias com a versão 100% eléctrica. E a primeira conclusão não é diferente do que já tínhamos sentido há seis meses: a FIAT acertou em cheio na fórmula visual deste modelo.
Há aqui um apelo nostálgico que toca quem cresceu a olhar para os Pandas de outras gerações, mas sem cair na tentação de fazer uma simples cópia do passado. Este é um automóvel que se enche de referências históricas para assumir uma personalidade muito própria, longe dos moldes que parecem dominar o design de outras marcas.
Na versão La Prima que ensaiámos, pintada no emblemático Amarelo Limone (sem custos adicionais, o que a torna obrigatória), este efeito é, ainda, mais evidente. Com os faróis dianteiros e traseiros em estilo pixel art, as ópticas traseiras geométricas, as linhas rectas da carroçaria e o nome ‘Panda‘ esculpido nas laterais, este é um daqueles automóveis que ainda faz virar cabeças.

Isto não acontece muitas vezes num segmento dominado pela racionalidade, com a emoção a ficar de parte; a verdade é que este Grande Panda em particular, nesta cor, consegue lembrar-nos que um automóvel nem sempre é apenas um meio de transporte entre o ponto A e o ponto B. Este é daqueles modelos que apetece levar para casa e estacionar na sala, como se fosse um capricho de um milionário.
Como já tínhamos escrito no ensaio da versão híbrida, os detalhes escondidos são muito da alma do Grande Panda. Também tal como os dois Jeep que testámos recentemente, este modelo está repleto de easter-eggs. O antigo logótipo da marca, inspirado nas quatro linhas oblíquas, aparece espalhado pela carroçaria e atinge o seu momento mais interessante no pilar C. Aqui, encontramos um painel em relevo que muda consoante o ângulo de observação: de um lado surge a palavra ‘FIAT‘, do outro aparece o símbolo clássico da marca italiana.
A versão La Prima vem, depois, com alguns elementos que lhe dão um look ainda mais distintivo: destacamos as jantes de liga leve de 17 polegadas e as barras de tejadilho. Face à versão de entrada, Icon, esta dá-nos, ainda, ar condicionado automático, espelhos retrovisores eléctricos e um carregador sem fios Qi. Este último, contudo, tem uma falha grave: smartphones de grandes dimensões, como um iPhone Pro Max, simplesmente não cabem na base.

No interior, o Grande Panda mantém exactamente a mesma filosofia que encontrámos no Híbrido. O habitáculo é simples, funcional e diferente do habitual, com o já nosso conhecido (e curioso) porta-luvas superior em formato cilíndrico, revestido a tecido e com tampa em bambu. Embora sirva apenas para guardar pequenos objectos, é diferenciador. Como complemento, temos o porta-luvas habitual em frente ao banco do passageiro, muito espaçoso, e um compartimento q.b. escondido sob o apoio de braço.
Como seria de esperar, os plásticos duros, tanto no tablier como nas portas, dominam o interior, com a FIAT a usar materiais reciclados cuja pigmentação cria um aspecto visual interessante: afinal, a sustentabilidade não tem de significar um compromisso estético. Há também pormenores inteligentes espalhados pelo habitáculo, como as duas bolsas existentes na traseira do encosto de cabeça do passageiro, ideais para guardar um smartphone ou outros pequenos objectos.
O sistema de infoentretenimento de 10,25 polegadas está entre os mais simples e intuitivos que encontrámos nos últimos tempos: tem Apple CarPlay, Android Auto e navegação, mas evita os excessos e complicações. Os menus são rápidos, lógicos e directos, ou seja, nada fica escondido em múltiplas camadas de opções.

Por baixo do ecrã principal temos uma série de comandos físicos dedicados para a climatização, muito práticos e fáceis de operar – nem sequer existe um menu digital para controlar estas funções, pelo que toda a interacção com a climatização tem de ser feita aqui. O que também continua a merecer a nossa aprovação é uma das melhores soluções de interacção do universo Stellantis: os botões físicos dedicados para desligar rapidamente os alertas de limite de velocidade e de manutenção na faixa de rodagem.
O painel de instrumentos digital de dez polegadas segue exactamente a mesma filosofia. A informação surge de forma clara, com um design gráfico atractivo e sem complicações. Existe apenas uma ausência, quanto a nós muito difícil de compreender: ao contrário do Grande Panda Híbrido, esta versão eléctrica não mostra os consumos energéticos, algo que tínhamos criticado aquando do test-drive de apresentação que fizemos no Verão de 2025.
Foi precisamente esta ausência que nos obrigou a fazer algumas contas durante o ensaio. O Grande Panda Eléctrico tem uma bateria de 44 kWh e um motor de 113 cavalos (83 kW). A autonomia oficial combinada é de 320 quilómetros e o consumo oficial, partilhado pela marca, situa-se nos 17,4 kWh/100 km. Quando nos foi entregue, com 99% de bateria, o computador de bordo indicava 290 quilómetros disponíveis.

No final do ensaio, ainda tínhamos 51% de carga e uma autonomia estimada de 159 quilómetros. Percorremos 151 quilómetros com uma velocidade média de 28 km/h, praticamente sempre em ambiente urbano e vias rápidas, com apenas uma curta incursão pela A5 entre Lisboa e Carcavelos. O resultado a que chegámos é de cerca de 14 kWh/100 km, um valor particularmente interessante porque fica abaixo dos 17,4 kWh/100 km homologados pela FIAT.
Em termos de desempenho, ninguém vai comprar este Panda à procura de acelerações impressionantes. Os 113 cavalos levam-no dos 0 aos 100 km/h em onze segundos e a velocidade máxima está limitada a 132 km/h. Em compensação, a disponibilidade imediata de binário típica dos eléctricos adapta-se na perfeição à utilização citadina, onde este modelo se sente verdadeiramente em casa.
A possibilidade de carregamento rápido até 100 kW permite recuperar energia com relativa rapidez durante viagens mais longas, embora a autonomia continue claramente orientada para um contexto urbano e suburbano. Por falar em carregamento, temos um detalhe, para concluir, que confirma (se dúvidas ainda houvesse) o Grande Panda como um modelo inteligente e prático: ao abrir uma pequena portinhola na grelha frontal, surge um cabo de carregamento integrado enrolado em espiral, numa solução que faz lembrar os antigos telefones.











