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Duster Eco-G 120 Auto Extreme: conduzimos o SUV que, provavelmente, tem a melhor relação qualidade/preço de 2026

©MotorMais | Dacia Duster BiFuel©MotorMais

Com dois depósitos de 50 litros, caixa automática de dupla embraiagem e quase 600 litros de bagageira, a versão deste Duster que testámos fica (muito) abaixo dos trinta mil euros.

Quase um ano depois de termos conduzido o Duster Extreme 4×2 com o motor TCe de 130 cv, auxiliado por um pequeno motor eléctrico e uma bateria de 48 V, voltámos ao SUV da Dacia para conhecer uma proposta bastante diferente. O novo Eco-G 120 Auto troca a caixa manual por uma transmissão de dupla embraiagem e permite escolher entre gasolina e GPL, uma combinação inédita neste segmento.

Assim que vemos o Duster, a percepção está em linha com a de 2025: a solidez é uma constante, tanto no interior como no exterior. A carroçaria transmite confiança e isto sente-se ao volante: o pára-brisas compacto e as nervuras bem vincadas no capot aumentam a sensação de estarmos ao comando de um verdadeiro carro de combate. A cor Caqui Lichen, combinada com os retrovisores em castanho cobre sem custo adicional, acentua ainda mais esta personalidade quase militar.

O habitáculo está bem organizado, apesar de os plásticos duros dominarem por completo o tablier, as portas e a consola – o que nem é uma crítica, pois assenta como uma luva neste conceito. Não há, assim, qualquer tentativa de esconder a natureza económica do Duster, mas os materiais parecem preparados para resistir ao uso intensivo.

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Esta filosofia prática reflecte-se, por exemplo, nos tapetes de borracha, presentes também na base da bagageira, que facilitam a limpeza depois de uma utilização fora do asfalto. Depois, temos o sistema YouClip, que permite montar acessórios em vários pontos do habitáculo.

Há um encaixe ao lado do ecrã central, adequado para um suporte de telemóvel, outro para os passageiros traseiros e mais três na zona de carga, com um na porta da bagageira e dois nas paredes laterais (onde também temos uma tomada de isqueiro). Tudo é muito funcional e prático.

Espaço é coisa que também não falta na consola central. A base de carregamento Qi tem dimensões generosas, há duas portas USB-C, uma bandeja superior (que ganhava muito em ter uma barreira), dois suportes para copos ou garrafas numa posição mais recuada e um compartimento amplo sob o apoio de braço. Ao centro, o selector físico da caixa tem uma pega firme e um bom formato compacto; esta é uma solução mais natural que alguns comandos minimalistas usados noutros modelos que temos testado.

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Por baixo do ecrã, temos a clássica fila de botões físicos do Grupo Renault que permite controlar o ar condicionado sem percorrer menus digitais. O desenho é, assim, semelhante ao usado nos Renault mais recentes e permite uma operação simples e directa durante a condução.

Atrás, os passageiros também têm espaço de sobra e os 594 litros de capacidade de bagageira colocam o Duster entre os SUV mais espaçosos, na sua faixa de preços. O formato quadradão facilita o transporte de objectos volumosos, mas há uma omissão estranha: apesar de o comando ter um botão para destrancar a mala, não temos abertura eléctrica.

Relativamente aos ecrãs, o painel de instrumentos apresenta bastante informação, mas não é confuso, ao contrário do que acontece na maioria dos modelos asiáticos. Na área mais à esquerda podemos ver uma série de conteúdos rotativos, como os ângulos de inclinação frontal, traseira e lateral, dados do sistema multimédia, indicações de navegação, consumos e níveis dos dois depósitos.

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Ao centro, é possível alternar entre três vistas. A mais útil mostra os consumos em tempo real através de um conta-rotações horizontal e de uma zona ‘Eco’, que ajuda a perceber se a condução favorece a eficiência. Falta, contudo, uma visualização mais dedicada à navegação, capaz de aproveitar melhor a superfície central disponível.

O ecrã central segue o grafismo dos Renault mais recentes, embora com menos menus e funcionalidades. O sistema é simples e fluido, mas os mapas HERE não nos dão a melhor experiência, dado que são algo lentos. Assim, o melhor será mesmo tirar partido do Android Auto ou Apple CarPlay. Depois, a qualidade das câmaras também continua abaixo do esperado, uma limitação que já identificámos em vários modelos da Renault.

A condução confirma a sensação de solidez transmitida pelo design; fora de estrada, o Duster é estável e absorve as imperfeições do terreno sem ruídos parasitas ou movimentos excessivos da carroçaria, embora a suspensão nos tenha parecido um pouco rígida. Aqui, sentimos falta de modos específicos para areia e lama, que seriam muito adequados ao seu espírito aventureiro.

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Este SUV inicia sempre a marcha com gasolina, pelo que temos de ser nós a mudar de um tanque para o outro – para isso, há um botão no tabelier, à esquerda do volante. Novidade é o facto de a caixa automática de dupla embraiagem poder ser controlada através de patilhas no volante, uma solução útil nas descidas ou quando queremos preparar uma ultrapassagem.

Mas é precisamente nas recuperações que surge a principal fragilidade desta versão. Quando carregamos a fundo no acelerador, o Duster demora a responder, como se precisasse de interpretar o pedido antes de libertar toda a força disponível. A lentidão torna-se crítica nas ultrapassagens e obriga a antecipar melhor cada manobra, caso não façamos uso das patilhas.

Nos consumos combinados, a Dacia anuncia 6,2 l/100 km com gasolina e 7,6 l/100 km com GPL. Ao longo dos 508 km do ensaio, percorremos 323 km a GPL e registámos uma média de 6,3 l/100 km, abaixo do valor oficial. No final, o computador de bordo ainda indicava cerca de 400 km de autonomia com este combustível. Em gasolina, o valor apresentado foi de 6,2 l/100 km, portanto, em linha com os números da marca.

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É fácil perceber que estes dois depósitos de 50 litros permitem percorrer distâncias muito longas sem paragens, ao mesmo tempo que o GPL reduz significativamente o custo por quilómetro. Esta é uma das maiores vantagens do Eco-G 120 Auto, sobretudo para quem faz muitas viagens, mas não quer um Diesel nem depender de carregamentos eléctricos.

A gama Duster começa nos 19 990 euros com o Eco-G Essential, mas a variante Eco-G Auto tem um preço inicial de 25 050 euros, enquanto a unidade Extreme ensaiada, com jantes de 18 polegadas e os vários packs de equipamento (Parking, 300 euros; Techno, 700 euros; Heat, 300 euros), custa 27 857 euros.

Mesmo nesta configuração, o Duster oferece uma combinação difícil de igualar: caixa automática, dois tipos de combustível, autonomia superior a mil quilómetros, quase 600 litros de bagageira e um habitáculo preparado para o uso familiar. Se dispensarmos um dos packs opcionais pagos (o Heat, por exemplo), o preço torna-se ainda mais apelativo, o que faz deste modelo, provavelmente, o SUV com a melhor relação qualidade/preço de 2026.