Qual vai ser o futuro da SEAT? Marca espanhola pode ser descontinuada depois de 2030; grupo Volkswagen quer dar prioridade ao crescimento da Cupra

A transição para os automóveis eléctricos está a obrigar os fabricantes europeus a rever investimentos e gamas, num mercado onde a adopção destas motorizações avança a ritmos diferentes. Neste contexto, a SEAT admite que o futuro da marca pode passar pelo seu «desaparecimento gradual após 2030».
Este é o cenário avançado num comunicado onde a empresa do Grupo Voklswagen garante que vai manter os lançamentos e as actualizações já planeados, entre os quais as versões mild-hybrid do Ibiza e do Arona, previstas para 2027.
A fabricante explica que a regulamentação, os custos da electrificação e o investimento necessário para desenvolver uma nova geração de modelos tornam «mais difícil justificar novos compromissos financeiros com a marca». Os cenários em análise «poderão incluir a descontinuação gradual da marca SEAT», mas a empresa ressalva que «não foi tomada qualquer decisão final».
Esta avaliação não se estende ao futuro da Seat S.A., a empresa responsável pelas marcas SEAT e Cupra, que antecipa um aumento do emprego com o alargamento das suas funções industriais no Grupo Volkswagen. «As nossas responsabilidades industriais estão a crescer e, com elas, o emprego», afirma Markus Haupt, CEO da SEAT & CUPRA.
Martorell está no centro desta estratégia, com a «industrialização da plataforma MEB21» e a produção da família de eléctricos urbanos, num processo associado ao investimento de «dez mil milhões de euros» anunciado em 2022 pelo grupo, pela SEAT S.A. e pelos parceiros do projecto ‘Future: Fast Forward’ para a electrificação de Espanha. A empresa quer ainda assegurar uma «plataforma adicional» para a fábrica.
A Cupra assumirá, assim, o papel de principal motor de crescimento, com o objectivo de atingir uma quota de mercado de «3% na Europa até 2030». Desde a criação como marca independente, em 2018, já entregou «mais de um milhão de automóveis» e lançou oito modelos, segundo os dados divulgados. A expansão internacional inclui a «entrada no Médio Oriente» no terceiro «trimestre de 2027»; por outro lado, os Estados Unidos continuam a ser uma ambição a mais longo prazo, sem calendário anunciado.
Oliver Blume, CEO do Grupo Volkswagen, destaca a base industrial de Martorell e o desenvolvimento da Cupra, mas deixa explícita a necessidade de ajustar os planos. «Precisamos de manter a flexibilidade e adaptar as nossas estratégias de marca e produto à regulamentação, às condições de mercado e às exigências dos nossos clientes», afirma.
Para a SEAT, isto traduz-se na continuidade do actual ciclo de produto, enquanto os investimentos e a orientação da marca para o período posterior a 2030 permanecem em «avaliação».











