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Volvo V60 T6 Polestar – A despedida em grande

Embora já tenhamos experimentado a nova Volvo V60, em Barcelona, não resistimos em nos despedir em grande da (ainda) actual geração da Volvo V60, com aquela que é a melhor versão de sempre, a Polestar.

Lançada originalmente em 2010, a carrinha de segmento médio da Volvo está prestes a ser descontinuada, visto estar a chegar a nova geração da V60, inspirada na plataforma SPA, a mesma partilhada pelos modelos da série 90, e o SUV XC60. Mas, até lá, a Volvo ainda dispõe de muitas viaturas em stock que poderão, nesta altura, revelar-se como excelentes negócios. Porém, em vez de nos despedirmos da actual V60 com uma versão D4 R-Design, uma das versões mais procuradas no nosso mercado, optámos pela versão mais radical, a brutal V60 T6 Polestar.

Para quem ainda não conheça, a Polestar foi o preparador oficial dos veículos de competição da Volvo, sendo responsável pela preparação de edições especiais como este modelo, à semelhança do que acontece com a AMG para a Mercedes-Benz, e a M para a BMW. Só mais recentemente é que o Grupo Volvo decidiu tornar esta submarca autónoma, tendo já apresentado o seu primeiro modelo, baseado no Volvo S90, conhecido como Polestar 1. Este é um enorme feito para uma empresa que só lançou os seus primeiros modelos de estrada em 2013, o S60 e V60 Polestar.

Estes primeiros modelos baseavam-se nos S60 e V60 tradicionais da Volvo, distinguindo-se pela utilização de uma motorização 3.0 V6, suspensão totalmente revista da Öhlins e sistema de travagem da Brembo. Em 2016, com a introdução de do restyling do V60 e S60, e das novas motorizações Drive-E de quatro cilindros e 2.0 litros, a Polestar actualizou os seus modelos, pegando na motorização de topo T6, adicionando-lhes alguns componentes adicionais, de forma a permitir elevar a potência debitada pelo motor para uns 367 cavalos e 470 Nm de binário máximo.

Para tal foi fundamental trocar o turbocompressor por um modelo maior, que passou a trabalhar com uma pressão superior de 2.0 bar, bem como um novo sistema de escape com dupla saída de escape, bielas, árvore de cames, bomba de gasolina, colector de admissão de maior dimensão para permitir a entrada de um maior caudal de ar, bem como a substituição do filtro de ar por um mais eficaz.

A caixa de velocidades, automática de origem Aisin, recebeu as devidas alterações para permitir um comportamento mais rápido e eficaz, tornando-a mais semelhante a uma caixa de dupla embraiagem, embora continue a revelar, em condições normais, a suavidade de uma caixa automática tradicional. Para garantir que toda a potência é transmitida ao asfalto, sem perdas significativas, bem como para garantir um melhor comportamento dinâmico, foi utilizado um sistema de tracção integral do tipo Haldex, que embora tenha sido criado pela BorgWarner, foi calibrado pela Polestar para uma distribuição mais orientada para o eixo traseiro, tendo o sistema de controlo de estabilidade sido devidamente calibrado para ser menos interventivo.

Escusado será de dizer que fiquei bastante satisfeito pelo modelo escolhido para testes ter sido a carrinha V60 em vez da berlina S60, já que a carrinha permite uma (ligeira) melhor distribuição do peso. O resultado foi uma das carrinhas mais divertidas de conduzir que experimentei até hoje, e mesmo sem ser exuberante como uma Audi RS4, ou uma C63 S AMG, esta V60 Polestar pareceu ser mais eficaz e garantir uma precisão nunca antes sentida num automóvel Volvo.

Falta apenas falar nas restantes alterações efectuadas pela Polestar em termos dinâmicos, como a substituição da já de si eficaz suspensão da versão R-Design por amortecedores Öhlins reguláveis, molas 80% mais firmes, reforço de diversos elementos em fibra de carbono no eixo traseiro e apoios mais firmes em ambos os eixos, como as barras estabilizadoras. As enormes jantes de 20 polegadas, equipadas com pneus Michelin Pilot Super Sport 4S (medidas 245/35) permitem vislumbrar o sistema de travagem Brembo com bombas de seis pistões e discos de 371mm dianteiros, e 302 mm traseiros.

Visualmente, esta V60 é deslumbrante, pois tal como já disse em termos de disponibilidade, não é exuberante como um modelo AMG, sendo as alterações visuais bastante subtis, como o aileron traseiro, as já referidas jantes de 20 polegadas da Polestar, o redução da altura ao solo, o difusor traseiro que aloja a dupla saída de escape, e um spoiler dianteiro de grandes dimensões, que obrigou-me a ter alguns cuidados redobrados nos estacionamentos de frente, para evitar tocar ou raspar nos passeios.

No interior são poucas as alterações efectuadas face a uma V60 tradicional, sendo estas maioritariamente relacionadas com os materiais usados nos acabamentos, como a aplicação de pele e alcantara nos bancos, forras das portas, apoio dos braços e volante, sempre acompanhados com pospontos com linha azul, a cor da Polestar. O logótipo Polestar só está visível na manete da caixa de velocidades, estando esta embutida na conhecida consola central flutuante, que neste caso em concreto tem um acabamento em fibra de carbono.

Falta apenas referir o excepcional apoio dos bancos utilizados, algo que infelizmente não sucede nos lugares traseiros, talvez para permitir uma solução mais confortável para o transporte de três ocupantes. Convém não esquecer que estamos perante um veículo de cariz familiar, muito embora a sonoridade, o comportamento e a rigidez da suspensão nos tentem avisar de que talvez este Volvo seja um veículo de competição disfarçado de carrinha. Adoro.

Ficha Técnica

Motor Prestações
Tipo Quatro cilindros em linha Velocidade Máxima 250 km/h
Capacidade 1969 cc Aceleração (0-100 km/h) 4,8 s
Potência 367 cv (4250 rpm) Consumos (litros/100 km)
Binário 470 Nm (3100 rpm) Cidade (anunciado)
Transmissão Estrada (anunciado)
Tracção Integral Média (anunciada) 8,1
Caixa Automática de 8 velocidades Emissões Co2 186 g/km
Chassis Preço
Dimensões (Comp. / Alt. / Larg.) 4635 / 1484 / 1865 mm Valor base €81 958
Peso 1751 Kg Valor viatura testada €82 263
Bagageira 430 / 1246 litros I.U.C. €379.41

Notas Finais

Design6.5
Interior7
Desempenho8.5
Consumos4
Equipamento7
Preço6

Gostámos

  • Visual discreto
  • Comportamento dinâmico
  • Apoio dos bancos

A rever

  • Consumos
  • Suspensão rígida em maus pisos

Conclusão

6.5Foi ao volante da V60 Polestar que nos despedimos da actual geração da Volvo V60. Uma das melhores carrinhas que testámos até hoje, com um comportamento dinâmico brilhante, bem mais equilibrada e menos exuberante que os modelos rivais germânicos. Visualmente discreta, é a carrinha perfeita para justificar uma compra a pensar na família, mas que será aproveitada em pleno por quem estiver ao volante.

Gustavo Dias