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Compass MHEV First Edition: conduzimos o Jeep que passa por cima areia, dunas e viagens longas sem termos ansiedade com a autonomia

©MotorMais | Jeep Compass MHEV©MotorMais

Depois do Jeep Compass 100% eléctrico, chegou a vez de experimentar aquela que, para muitos, será, provavelmente, a versão mais interessante da gama: a MHEV.

Quando um modelo automóvel tem versões EV e MHEV, a nossa bússola inclina-se quase sempre para a que permite ter o melhor dos dois mundos. E, neste caso, mesmo que não possamos ligar uma ficha a este Jeep, a verdade é que o conjunto mild-hybrid deste Compass foi um dos que melhor desempenho teve nos nossos testes.

À primeira vista, quase nada distingue o MHEV do EV que conduzimos no passado fim-de-semana. Por fora, este Compass mantém a mesma linguagem estética do eléctrico, com uma frente dominada pela grelha de sete ranhuras, uma assinatura histórica da Jeep, agora reinterpretada com elementos fechados e barras iluminadas que fazem a separação entre cada secção.

Atrás, surgem ópticas horizontais unidas por uma barra luminosa que atravessa toda a largura da mala, com o logótipo Jeep iluminado ao centro. Nada de novo, portanto, em relação ao modelo 100% eléctrico. Uma das principais diferenças visuais está nas jantes. Nesta versão encontramos jantes de dezoito polegadas em cinzento escuro, mais discretas do que as impressionantes de vinte polegadas do Compass EV.

©MotorMais | Jeep Compass MHEV
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Outra coisa que se mantém são os pequenos detalhes que fazem parte da identidade da marca, com os chamados ‘easter eggs’ espalhados por todo o veículo. Voltamos a encontrar a silhueta frontal do clássico Willys em vários pontos, incluindo os conjuntos ópticos e o volante. No pára-brisas surge o desenho de um Jeep equipado com uma tenda de campismo. Já por baixo do spoiler traseiro continua escondida a pequena borboleta gravada nos plásticos da carroçaria, um detalhe que já nos tinha chamado a atenção na versão eléctrica.

No interior, as diferenças são praticamente inexistentes. O ambiente continua a misturar o espírito aventureiro de um verdadeiro Jeep com um nível de requinte que o aproxima de modelos premium. Os tapetes em borracha com relevos inspirados em terrenos fora de estrada reforçam a vertente prática, enquanto os materiais combinam superfícies macias revestidas a pele com plásticos rugosos decorados com o padrão em forma de ‘X’ que também aparece nos grupos ópticos.

O sistema de infoentretenimento mantém exactamente as mesmas qualidades e limitações que encontrámos no Compass EV. A versão First Edition surge igualmente equipada ao mais alto nível, com bancos dianteiros eléctricos, aquecidos e com função de massagem, volante aquecido e sistema de som premium Focal. Fora isso, tivemos ainda direito a um generoso conjunto de extras.

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A pintura Castanho Amazónia bi-tom com tejadilho preto acrescenta 1200 euros à factura; o Pack ADAS custa 1750 euros, o Convenience Pack soma 750 euros e o Premium First Edition, que inclui elementos como iluminação ambiente configurável, sistema Focal, carregador sem fios e bancos com massagem, mais 1700 euros. A fechar a lista surge o tecto panorâmico de abrir, por 1200 euros.

Debaixo do capot encontramos um motor 1.2 turbo assistido por um eléctrico de 21 kW. Em conjunto, são 145 cv (213 no EV) e 230 Nm de binário, com uma bateria de apenas 0,9 kWh e transmissão automática de dupla embraiagem E6.e-bis DCT6 de seis velocidades, também com interacção garantida com as patilhas localizadas atrás do volante. Quando no Compass EV serviam para ajustar os níveis de regeneração, aqui recuperam a sua função tradicional e permitem controlar manualmente a caixa automática de seis velocidades.

Por falar em regeneração, foi precisamente aqui que surgiu uma das maiores surpresas do ensaio. A Jeep anuncia uma autonomia combinada próxima dos oitocentos quilómetros e consumos de 5,6 l/100 km. No nosso teste, percorremos 375 quilómetros e terminámos com uma média de 5,7 l/100 km, com 560 de autonomia disponível.

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Mas mais impressionante foi assistir à evolução da estimativa ao longo do primeiro dia. Saímos do parque de imprensa da Stellantis com cerca de 800 quilómetros indicados no painel de instrumentos e, após vários percursos mistos e uma condução particularmente cuidada, esse valor chegou aos 920.

Sabemos que estas estimativas são dinâmicas e acabam por se reajustar à realidade, mas continua a ser surpreendente ver um Jeep “ganhar” cerca de 120 quilómetros apenas graças à recuperação de energia e à eficiência do sistema híbrido.

É precisamente aqui que, na nossa opinião, este Compass encontra o seu maior argumento: o preço base de 47 600 euros representa uma diferença de 13 700 euros face à versão totalmente eléctrica, mas continua a oferecer um nível de equipamento muito semelhante, preserva a identidade visual do novo Compass e acrescenta uma versatilidade que o EV dificilmente consegue igualar.

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Depois de conduzir este último, a diferença para este sente-se imediatamente. Mesmo com o modo ‘Sport’ activo, nunca existe aquele impulso instantâneo que cola o corpo ao banco. A resposta é mais progressiva, mais linear e tranquila. Os números provam esta sensação: a aceleração dos 0 aos 100 km/h cumpre-se em 10,3 segundos (8,5 no EV) e a velocidade máxima atinge os 188 km/h.

A explicação também pode estar na própria arquitectura do sistema. Enquanto no Compass EV o binário surge de imediato (345 contra 230 Nm), aqui, o motor eléctrico funciona como assistente do motor térmico, pelo que o foco está na eficiência e na suavidade de utilização, não no desempenho puro. A pequena bateria de 0,9 kWh deixa isso bem claro.

Curiosamente, um dos aspectos mais interessantes deste Compass acabou por surgir, de forma natural, longe do asfalto. Desta vez levámo-lo até à zona da Lagoa de Albufeira, Praia do Meco e Herdade do Cabeço da Flauta para, entre areia solta, pequenas dunas e trilhos mais irregulares, darmos largas ao modo ‘Areia/Lama’.

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Assim que o fazemos, e tal como já tínhamos sentido no EV, a transformação é imediata: o acelerador passa a responder de forma muito mais progressiva e a electrónica privilegia a motricidade em detrimento da rapidez de reacção. O Compass atravessou, assim, zonas de areia solta e pequenas dunas com facilidade e em momento algum transmitiu insegurança ou nervosismo.

Nem esperávamos outra coisa: este Compass avançou sempre com confiança e controlo. Mesmo sem pretensões de ser um TT extremo, demonstrou uma competência fora de estrada que honra verdadeiramente o nome ‘Jeep’. Além disso, tem uma autonomia para viagens longas, consumos contidos, boa capacidade fora de estrada, equipamento abundante e um preço significativamente mais acessível. Ou seja, é a proposta mais racional do novo Compass.