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Avenger The North Face Edition: conduzimos o Jeep que se vestiu a rigor para uma viagem off-road ao Monte Branco

©MotorMais | Jeep TNF©MotorMais

A The North Face Edition é, provavelmente, uma das edições especiais mais interessantes que a Jeep lançou, muito por culpa de não ser apenas uma “operação cosmética” ao Avenger.

Quase dois anos depois de ter conduzido a versão “normal” do Avenger (que acabou por ser um dos nossos automóveis do ano de 2024), conseguimos deitar a mão à versão The North Face (TNF), que já andávamos a namorar há algum tempo no parque de imprensa da Stellantis.

Mais do que ser salpicada por detalhes de design, a TNF conta-nos uma história por trás de, praticamente, todos estes pormenores. Neste caso, a colaboração entre a Jeep e a The North Face não se limita ao marketing: está presente nos materiais, nos easter eggs (um clássico destes modelos) e até nos números escolhidos para a produção.

Limitada a 4806 unidades para todo o Mundo, a TNF presta homenagem ao Monte Branco (ou Mont Blanc, a montanha mais alta dos Alpes e da Europa Ocidental), algo que é possível ver logo quando entramos: este número está inscrito no tablier, à direita do condutor, através da indicação ‘One of 4806’, numa referência directa à sua altitude.

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Mas, mesmo cá fora, esta associação é bem visível: no capot, temos coordenadas que apontam para a localização real deste maciço, enquanto as linhas topográficas reforçam a inspiração nos mapas de montanha. O próprio acabamento mate desta zona tem uma função prática, ao reduzir reflexos quando o Sol bate de frente.

A identidade aventureira continua na clássica grelha de sete ranhuras, agora fechada, como acontece nos actuais Jeep, e decorada com novos padrões topográficos inspirados na mesma montanha. Na traseira existe ainda a preparação para um gancho de reboque Mopar, mais um pormenor que revela a mais que óbvia utilização além do asfalto.

Apesar de não ter muitas referências ao Willys, ao contrário da versão que conduzimos em 2024, o TNF não esquece a herança Jeep: temos a imagem estilizada da grelha frontal deste modelo, com as ópticas redondas, nas ópticas traseiras (desaparece, contudo, do volante e das jantes).

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Depois, há três detalhes que se mantêm da versão clássica do Avenger: uma pequena joaninha pousada nos rails do tejadilho, a silhueta de uma criança a observar as estrelas através de um telescópio no vidro dianteiro e, no vidro traseiro, uma ilustração de uma montanha que, aqui, reforça ainda mais a temática alpina da TNF.

Este é mesmo um automóvel que merece perder algum tempo (ou, melhor, ganhar) para ver de perto toda a carroçaria à procura de easter eggs. No pára-choques dianteiro encontrámos mais dois: um alvo e uma escala vertical acompanhada por um pequeno pato de borracha, uma referência visual à capacidade de atravessar cursos de água até 40 centímetros de profundidade.

Detalhes à parte, centramo-nos no aspecto visual imediato deste Jeep, dominado pela pintura bi-color, que combina o Cinzento Storm com o tejadilho preto, uma opção que custa 1300 euros. A isto juntam-se apontamentos em amarelo (Summit Gold, uma cor associada ao equipamento técnico da The North Face) espalhados por toda a carroçaria, desde os pára-choques às inscrições Avenger nas laterais, sempre acompanhados pelas inevitáveis linhas topográficas.

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No interior, a colaboração entre as duas marcas dá ainda mais personalidade ao Avenger, com os bancos Performance The North Face a serem o elemento mais distintivo do habitáculo. Os materiais resistentes e impermeáveis estão ligados às actividades ao ar livre, enquanto os padrões acolchoados remetem imediatamente para os famosos casacos puffer da marca.

Nas costas dos bancos dianteiros existe uma faixa em nylon resistente com várias aberturas para prender objectos, acompanhada por uma rede elástica semelhante às que encontramos em mochilas e malas técnicas. É um detalhe prático e, mais uma vez, muito coerente com o conceito que deu origem a esta edição.

As referências à montanha multiplicam-se por todo o habitáculo. Há silhuetas de picos nas extremidades do tablier (na zona que fica escondida quando as portas estão fechadas), linhas topográficas espalhadas por vários elementos decorativos e logótipos The North Face integrados nos bancos e na tampa do compartimento frontal que esconde o carregador sem fios para smartphones. Por baixo das saídas de ventilação, a Jeep criou ainda uma pequena bandeja elevada no tablier, com uma base rugosa, muito prática para deixar pequenos objectos sempre à mão.

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O equipamento de série é generoso e inclui bancos dianteiros aquecidos, pára-brisas aquecido, assistência à condução de nível 2 com cruise control adaptativo, centragem na faixa e Traffic Jam Assist, câmara traseira com sistema Drone View e bancos dianteiros com ajuste manual em seis posições. E, tal como no FIAT 600e que conduzimos recentemente, o sistema de infoentretenimento personifica-se num ecrã de 10,25 polegadas, a que se junta uma consola central idêntica.

No entanto, a experiência com o ecrã e o sistema multimédia revelou-se menos fluida que no modelo italiano. Em várias ocasiões tentámos deslizar entre menus e o sistema simplesmente não reagiu à primeira tentativa. Em sentido oposto, o Drone View é uma das soluções de estacionamento mais bem feitas que experimentámos recentemente, dado que nos dá uma leitura extremamente clara do espaço traseiro e dos obstáculos em redor do veículo.

O Avenger TNF mantém igualmente uma das melhores funcionalidades do universo Stellantis: a possibilidade de desligar rapidamente os alertas de excesso de velocidade, atenção do condutor e manutenção na faixa através de um simples botão (tem o símbolo de um automóvel, por baixo do ecrã principal), o que evita que tenhamos de navegar por múltiplos menus.

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Já o painel de instrumentos digital de 10,25 polegadas merece uma nota positiva. Os diferentes modos de condução alteram não só as cores dos gráficos, mas também a disposição dos indicadores de potência, regeneração e autonomia. Depois, o próprio fundo do painel adopta as mesmas linhas topográficas presentes no capot e no tablier — de falta de coerência visual não nos podemos queixar.

No que respeita à motorização, o Avenger TNF é um 4xe, o que significa que abandona a configuração híbrida convencional e adopta um sistema, digamos, mais sofisticado: um motor 1.2 turbo de 136 cv e dois motores eléctricos de 21 kW, um por cada eixo, para uma potência combinada de 145 cv.

A pequena bateria de iões de lítio de 48 V (cerca de 0,9 kWh) recarrega através da recuperação de energia nas travagens e desacelerações, pelo próprio motor a gasolina ou pelo funcionamento normal do sistema híbrido. Ao contrário de muitos SUV compactos que apostam numa imagem aventureira mas oferecem apenas tracção dianteira, neste Avenger temos mesmo quatro rodas motrizes. Não é um Wrangler, ok, mas também está longe de ser apenas um exercício de estilo, como já dissemos.

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Mas, mesmo assim, para um Jeep compacto, não está nada mau. Temos 21 centímetros de distância ao solo, ângulo de ataque de 22 graus, ângulo ventral de 21 graus, ângulo de saída de 35 graus, capacidade para enfrentar inclinações até 40% e travessias de água até 40 centímetros de profundidade (lembram-se do patinho?). As jantes de 17 polegadas equipadas com pneus M+S, as protecções adicionais da carroçaria e a maior altura ao solo reforçam esta aptidão para caminhos de terra e trilhos ligeiros.

Isto é algo que está reflectido no sistema Selec-Terrain, onde temos os modos de condução ‘Auto’, ‘Snow’, ‘Sand & Mud’ e ‘Sport’, assim como no controlo electrónico de descida de declives, que tem um botão dedicado à esquerda do volante, numa localização tradicionalmente reservada à regulação da altura dos faróis.

O selector da caixa permite ainda activar um modo manual com seis relações, controladas através das patilhas atrás do volante. Ainda assim, estas patilhas poderiam assumir uma segunda função dedicada à regeneração de energia, como acontece noutros modelos electrificados.

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A velocidade máxima anunciada é de 194 km/h e o consumo combinado homologado situa-se nos 5,5 l/100 km. Durante o ensaio, após 204 quilómetros e cerca de um quarto do depósito consumido, o computador de bordo deu-nos uma média real de 6,5 l/100 km (usámos, sobretudo, o modo ‘Sport’) e uma autonomia restante de 460 quilómetros, valores perfeitamente aceitáveis para um SUV compacto com tracção integral.

A terminar, as más notícias: o espaço traseiro é manifestamente reduzido. Com dois adultos altos nos bancos da frente, sentar alguém atrás torna-se praticamente impossível. Mesmo em condições mais favoráveis, a sensação de espaço é limitada e algo claustrofóbica. Seria mais fácil aceitar este compromisso se existisse uma bagageira particularmente generosa, mas também não é esse o caso. Quem quiser um automóvel familiar dentro do “universo” Jeep, o melhor é optar pelo Compass.

O preço também pode afastar alguns clientes: o Avenger 4xe The North Face Edition custa 43 664 euros chave na mão, cerca de dez mil euros acima de um Avenger 4xe Hybrid Overland equipado com os pacotes Winter e Infotainment & Convenience, que fica pelos 35 200 euros. A Jeep disponibiliza ainda uma campanha de financiamento com mensalidades de 199 euros durante 36 meses, entrada inicial de 8290 euros e prestação final de 22 485 euros.

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É caro? Sem dúvida. Mas esta é também uma das raras edições especiais que justificam verdadeiramente o nome. O Avenger TNF não vive apenas de autocolantes adicionais ou de uma cor exclusiva. Aqui, temos um conceito coerente, dezenas de pequenos detalhes para descobrir e um sistema 4xe que lhe dá uma boa capacidade fora de estrada.