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Omoda 7 SHS-P: será que este novo SUV chinês tem os argumentos necessários para fazer frente aos rivais?

©MotorMais | Omoda 7©MotorMais

O Omoda 7 SHS-P acaba de ser apresentado em Lisboa e assume-se como uma das apostas «mais importantes» da marca chinesa para o mercado nacional, onde entrou no final de 2025. Posicionado entre o Omoda 5 e o Omoda 9, este SUV híbrido plug-in (ou, como a marca lhe chama «super-híbrido») quer conquistar os clientes que estejam à procura de um automóvel «familiar e tecnológico».

Contudo, o Omoda 7 é para quem não quer entrar nos valores praticados pelos modelos mais premium do segmento, que «ultrapassam facilmente» os cinquenta mil euros, casos do Renault Rafale, Cupra Terramar ou Mercedes GLA. Para a Omoda (que, na China, faz parte do grupo Chery, empresa que tem o licenciamento da Land Rover neste país) este lançamento representa um «passo firme» na estratégia de crescimento acelerado em Portugal, deixou claro Nuno Serra (foto em baixo), director da marca.

O responsável lembrou que o Omoda 5 continua a ser o «campeão de vendas da gama», com «305 unidades comercializadas», e destacou a expansão da rede nacional, que deverá passar dos actuais 15 pontos de venda «para 26 até ao final do ano», incluindo a estreia na Madeira e a chegada ao Alentejo.

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A ambição da marca passa por atingir as 4500 unidades vendidas em Portugal até ao final de 2026. Para sustentar esse crescimento, a Omoda aposta numa garantia mecânica de sete anos ou 150 mil quilómetros, oito anos ou 160 mil quilómetros para a bateria e numa promessa de «entrega de peças em 24 horas».

No caso do novo Omoda 7, o posicionamento também é claro: com um preço de 44 900 euros, torna-se o segundo modelo mais caro da gama nacional, apenas atrás do Omoda 9 SHS-P, que custa 52 900 euros. Ainda assim, continua a apresentar-se como uma alternativa competitiva num segmento onde apenas o Leapmotor C10 consegue oferecer um valor de entrada inferior (33 900 euros) segundo dados avançados pela marca que tem distribuição assegurada em Portugal pelo grupo JAP.

Visualmente, o novo SUV adopta a filosofia de design ‘Art in Motion’, com uma «grelha paramétrica sem moldura, assinatura luminosa marcante e uma silhueta fastback que lhe confere uma presença moderna e robusta». O conjunto é complementado por jantes de vinte polegadas, por um tecto panorâmico de grandes dimensões e linhas “afiadas”, quer à frente, quer atrás.

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Segundo Nuno Catarino, gestor de produto da marca, o objectivo passou por criar um automóvel capaz de combinar tecnologia avançada e conforto: «Temos bancos eléctricos inspirados no universo gaming, um sistema de som Sony e um dos elementos mais invulgares do mercado: um ecrã central de 15,6 polegadas que desliza lateralmente para o lado do passageiro, inédito em Portugal».

Na prática, o mecanismo funciona de forma rápida e imediata, embora a sua utilidade no dia-a-dia levante algumas dúvidas. No curto test-drive que fizemos com o Omoda 7, a correia responsável pelo movimento fica exposta numa calha localizada no tablier, o que poderá levar a que poeiras, areia ou outros detritos a possam bloquear.

E foi precisamente no habitáculo que surgiram as nossas primeiras impressões mais contrastantes: o ambiente transmite uma forte inspiração asiática, muito em linha com o que vemos na BYD, com materiais macios e agradáveis ao toque e superfícies que imitam o aspecto da Alcantara. Mas o painel de instrumentos apresenta uma grande quantidade de informação, numa abordagem semelhante à adoptada pela sua rival chinesa.

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Percebemos também que arranque do Omoda 7 dispensa qualquer botão físico: basta pressionar o pedal do travão. Na consola central, e bem posicionados, encontram-se igualmente comandos dedicados para alternar entre os modos ‘EV’ e ‘HEV’, bem como os habituais programas de condução ‘Eco’, ‘Normal’ e ‘Sport’ – mais uma vez, tudo muito parecido com o que já vimos nos DM-i da BYD.

Mas se a qualidade dos materiais até convence, o software do Omoda 7 desilude: os menus têm muita complexidade, há traduções mal feitas e a oferta de aplicações está muito limitada. Este é, de resto, um defeito que temos visto sempre que testamos modelos chineses, embora esta marca assuma que o sistema de infoentretenimento precisa de ajustes.

Passando agora para a mecânica, temos o sistema Super Hybrid System (SHS), que combina um motor 1.5 turbo de quinta geração com um propulsor eléctrico e uma transmissão híbrida dedicada DHT. O resultado é uma potência de 279 cavalos e 365 Nm de binário, suficientes para acelerar dos 0 aos 100 km/h em 8,4 segundos e atingir uma velocidade máxima de 180 km/h.

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A bateria de 18,4 kWh permite uma autonomia eléctrica de até 90 quilómetros, enquanto a combinada ultrapassa os 1200; a Omoda anuncia ainda consumos homologados de 2,3 l/100 em ciclo WLTP. Já no carregamento, este SUV admite potências até 40 kW em DC, o que permite recuperar «dos 30 aos 80% em menos de vinte minutos». Por outro lado, o sistema V2L é capaz de fornecer até 3,3 kW para equipamentos externos.

Em matéria de segurança, estão disponíveis 19 sistemas avançados de assistência à condução, incluindo a «travagem autónoma de emergência, o controlo de velocidade adaptativo, a monitorização do ângulo morto, o alerta de tráfego cruzado traseiro e o assistente de manutenção na faixa de rodagem». Mas desligar os avisos para que não oiçamos alertas irritantes vai obrigar a algum trabalho, já que é preciso fazer um a um e não há atalhos para uma desactivação rápida como nos modelos da Stellantis ou da Renault, por exemplo.

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Com 4,66 metros de comprimento e uma bagageira que varia entre os 537 e os 1294 litros, o Omoda 7 SHS-P chega ao mercado português com alguns argumentos sólidos para disputar um dos segmentos mais concorridos do momento, mas por dentro não nos parece seguir a assinatura ‘Naturalmente distinto’ que a marca quer fazer passar. A tecnologia pode, e deve, ser um dos argumentos de venda, mas neste caso há muita margem para simplificar (e, depois, melhorar) a experiência de utilização.