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DS N°7: este «luxo francês» em forma de SUV mostra que a autonomia também pode ser um argumento premium (são mais de 700 km)

©MotorMais | DS Nº7©MotorMais

Foi nas estradas sinuosas da região da Provença (Sul de França) que a DS Automobiles fez a apresentação internacional do N°7, um SUV que continua a ser o modelo mais importante da marca, sublinhou Audrey Amar, directora de produto da DS Automobiles.

Responsável por cerca de «metade das vendas globais da DS» e com «mais de duzentas mil unidades comercializadas desde o lançamento da primeira geração» (69% das quais fora de França), a nova versão vem com uma série de argumentos que passam pelo aumento da autonomia e por um habitáculo onde o conforto (e o maximalismo) continua a ser o grande destaque.

Mas, para a marca (que saiu do universo da Citroën em 2014 para se assumir em pleno), este DS N°7 representa muito mais do que a substituição do anterior DS 7 (assim mesmo, sem o ‘N°’). Para Audrey Amar (na foto, em baixo), a missão é «consolidar a presença da DS no competitivo segmento premium europeu», que representa, actualmente, «cerca de 22% do mercado automóvel» do Velho Continente.

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Este é, também, o terceiro “capítulo” da renovação da gama da marca francesa, iniciada com o N°8 e continuada com o recente N°4, mas assume um peso especial por, como já referimos, se tratar do modelo «mais importante» da DS Automobiles.

Com 4,66 metros de comprimento, mais «sete centímetros do que o antecessor», e uma bagageira de 560 litros, o DS N°7 «posiciona-se entre os segmentos C-SUV e D-SUV». A ideia é conquistar clientes que «valorizam conforto, tecnologia e autonomia», sem abdicar de uma identidade visual distinta — aliás, a DS continua a ser uma das poucas marcas que tem modelos cujo design não segue convenções.

O ponto de partida para o DS N°7 foi o concept DS Aero Sport Lounge, apresentado em 2020, cuja silhueta de tejadilho longo e linhas fluidas transitaram quase intactas para o modelo de produção. A nova assinatura luminosa dianteira e traseira também assume um papel central na identidade do automóvel, criada para tornar o N°7 facilmente reconhecível mesmo à distância. Um dos elementos de destaque é a grelha iluminada e as ópticas verticais, quer à frente, quer atrás.

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No habitáculo, a preocupação passou por oferecer o mesmo nível de conforto a todos os ocupantes. Como disse Sylvain Champomier, brand manager do DS N°7, «todos os passageiros têm direito à mesma qualidade dos bancos». Este cuidado traduz-se em bancos dianteiros com espumas de elevada densidade, apoios laterais ajustáveis, funções de aquecimento, ventilação e massagem, bem como no sistema DS Neck Warmer, que aquece directamente a zona do pescoço.

Atrás, também temos bancos aquecidos, comandos próprios da climatização e portas USB-C, enquanto o tecto panorâmico aumenta a luminosidade e o espaço disponível. A preocupação com o conforto estende-se ao isolamento do habitáculo, com o pára-brisas e os vidros laterais a utilizarem vidro acústico laminado, complementado por diversos materiais insonorizantes distribuídos pela carroçaria. Isto acaba ainda por criar as condições ideais para tirar partido do sistema áudio Electra 3D by Focal (catorze altifalantes e um amplificador de 690 W).

A qualidade percebida continua a ser um dos argumentos mais fortes do modelo. A DS combina pele Nappa, madeira gravada a laser, costuras Pearl Stitching e padrões Guilloché com uma utilização significativa de materiais reciclados. Cerca de «60% das fibras utilizadas têm origem reciclada, assim como 68% da Alcantara e 96% dos tapetes», numa abordagem que procura conciliar o luxo com a preocupação ambiental.

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Em termos de versões, o DS N°7 vem com três variantes E-Tense: a versão de entrada tem 230 cv e uma bateria de 74 kWh, com 543 quilómetros de autonomia WLTP. A variante Long Range aumenta a potência para 245 cv e adopta uma bateria de 97 kWh, o que permite atingir 740 quilómetros de autonomia, «um dos valores mais elevados do segmento».

No topo surge a E-Tense AWD Long Range, equipada com dois motores eléctricos, tracção integral e uma potência combinada de 350 cv, que sobe temporariamente para 375 cv em modo Boost. A aceleração dos 0 aos 100 km/h cumpre-se em apenas 5,4 segundos, mantendo uma autonomia de até 679 quilómetros.

Para quem quiser uma solução electrificada sem necessidade de carregamentos externos, a DS disponibiliza igualmente a versão Hybrid 145. Esta combina um motor 1.2 turbo a gasolina com um sistema híbrido de 48 V integrado na caixa automática de dupla embraiagem. A marca anuncia consumos de «5,3 l/100 km, emissões entre 120 e 126 g/km de CO₂ e uma autonomia que pode ultrapassar os mil quilómetros».

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Durante a apresentação, os responsáveis revelaram que o desenvolvimento do N°7 incluiu testes comparativos de autonomia e conforto entre Paris e Montpellier frente a dois dos principais rivais identificados pela própria DS: o Audi Q4 E-Tron Sportback e o BMW iX1. O objectivo era garantir que o novo modelo não se distinguisse apenas pelo design, mas também pela experiência de utilização em longas viagens.

Durante o evento de apresentação, conduzimos o DS N°7 na sua versão Pallas e pudemos confirmar que o isolamento acústico cria um ambiente tranquilo e que há mesmo um bom toque de luxo francês a bordo. Os bancos dianteiros oferecem múltiplas funções de massagem e ajuste lombar, mas o ecrã central, muito largo, dificulta o acesso às opções colocadas mais à direita, precisamente onde se encontram alguns desses comandos.

O sistema de regeneração pode ser regulado através das patilhas atrás do volante, embora este, com raios em forma de ‘X’, exija alguma habituação devido ao formato pouco convencional das pegas. A consola central, em ponte, integra uma base de carregamento sem fios com refrigeração, local onde também fica o selector de marcha, demasiado recuado e que interfere com a tampa de um pequeno compartimento onde é possível transportar uma garrafa, o que torna a sua utilização menos prática.

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A funcionalidade continua, ainda assim, bem presente. Sob a consola central existe espaço para duas garrafas e duas ligações USB-C, enquanto os passageiros traseiros têm à disposição um pequeno ecrã dedicado ao controlo da climatização, complementado por mais portas com este formato.

Sobre preços, a marca não deu dados concretos, mas é provável que o DS N°7 chegue ao mercado português entre 65 e 70 mil euros; o lançamento está marcado para Setembro.