«A potência não é tudo»: este estudo da Polestar e Oxford prova que o prazer de condução é (muito) mais que meter o pé no acelerador

É uma conclusão mais ou menos consensual: o prazer de conduzir um automóvel não cabe numa ficha técnica. A potência, a aceleração e a velocidade máxima ajudam a contar a história, mas não explicam por que é que saímos de uma curva com vontade de repetir e, da próxima vez, “cortá-la” mais.
Foi este lado menos “mensurável” da experiência de condução que a Polestar quis provar com o estudo ‘Measuring the Thrill of Driving in Electric Vehicles‘ (‘Medir o Entusiasmo de Conduzir Automóveis Eléctricos’), feito com investigadores da Universidade de Oxford. Para isto, foram usadas duas versões do Polestar 4, no circuito sueco de Gotland Ring.
Doze condutores «habituados à marca, mas sem experiência de competição», testaram o Polestar 4 de tracção traseira (RWD) e o Dual Motor Performance. A selecção destes pilotos não foi “inocente”: todos já tinham modelos da marca (alguns, um Polestar 4). Em entrevista à MotorMais, Cristian Drapni, investigador da Universidade de Oxford, diz que a escolha foi feita para reduzir o factor de «surpresa e medir respostas mais próximas daquilo que sentiriam numa utilização regular».

Os participantes avaliaram a versão Performance com 89,2 pontos, face aos 67,7 atribuídos à alternativa de um só motor; na qualidade da experiência, a diferença foi de 93,0 para 77,9. Esta investigação recolheu dados fisiológicos que apontam na mesma direcção: na versão mais dinâmica, os condutores «pestanejavam menos, apresentavam pupilas mais dilatadas e mantinham o olhar fixo durante mais tempo».
Sobre a escolha de um circuito fechado em detrimento de condições reais, Cristian Drapni, diz que foi «natural», por permitir «conduzir em segurança e retirar prazer do automóvel sem os constrangimentos logísticos e de tráfego de uma estrada aberta». Ainda assim, o investigador acredita que os resultados «seriam semelhantes aos recolhidos numa boa estrada secundária».
A preferência dos condutores pelo Polestar 4 Performance não se explicou, contudo, apenas pelos números de aceleração. Este modelo registou um pico de «aceleração 32% superior e exigiu menos 15% de esforço na direcção», mas Cristian Drapni identifica a tracção integral como o elemento decisivo.

«Os condutores não tinham de lutar tanto nas curvas para evitar que o carro escorregasse», explica. A maior aderência e a sensação de automóvel «mais assente permitiram explorar as curvas com maior confiança», lembra, à MotorMais, o investigador da Universida de Oxford.
O traçado de Gotland Ring também ajudou a evitar que os pilotos sentissem apenas «velocidade pura». Com poucas rectas e curvas de velocidade relativamente baixa, as velocidades médias e máximas dos dois Polestar 4 foram «próximas». A diferença sentiu-se, sobretudo, à saída das curvas e nas forças G suportadas durante a trajectória: «A principal vantagem esteve no comportamento dinâmico», resume Cristian Drapni.
A conclusão deste estudo coincide com uma ideia que muitos de nós reconhecemos: a potência é agradável, mas não chega. «O mais importante é a forma como o automóvel se comporta em curva, como esconde o peso, como reage e como faz o condutor sentir que está no controlo», defende o investigador. Num eléctrico pesado e muito potente, como este Polestar (que já testámos), a verdade é que a previsibilidade e a agilidade podem valer mais que uma aceleração, que, no fundo, raramente se vai tirar máximo partido na estrada.

Este projecto deverá, agora, avançar para uma amostra maior, com o objectivo de transformar esta análise numa base quantitativa mais sólida e chegar àquilo a que os investigadores chamam «unidade de entusiasmo».
Para a Polestar, a investigação serve também para reforçar uma identidade que mantém «raízes na Volvo», mas que se apresenta como uma marca sueca premium orientada para o «design e a performance». Os condutores ouvidos parecem confirmar esta ligação: «Valorizam a estética e os valores da marca tanto quanto a resposta do acelerador», conclui Cristian Drapni.











