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Atto 2 Comfort: conduzimos o SUV compacto da BYD que acerta quase em tudo (precisamos de um botão de mute, sff)

©MotorMais | BYD Atto 2©MotorMais

Compacto por fora, espaçoso por dentro, o Atto 2 mostra que a BYD sabe fazer automóveis convincentes, embora continue presa a velhos problemas de software.

A marca chinesa parece ter encontrado uma fórmula muito própria para os seus automóveis: interiores com uma sensação de gama superior, muito equipamento de série e uma relação preço/equipamento aceitável. O Atto 2 (aqui na versão Comfort) encaixa bem nesta lógica.

E, com o Atto 3, talvez seja mesmo um dos modelos mais equilibrados da BYD para o mercado europeu. Com 4,31 metros de comprimento e 1,83 metros de largura, este SUV eléctrico posiciona-se abaixo deste, mas assume uma personalidade distinta.

O formato mais “boxy” e os apontamentos inferiores nas laterais dão-lhe um ligeiro ar off-road, enquanto a frente mantém a assinatura visual típica da BYD, com ópticas alongadas que já se tornaram imagem de marca. Atrás, o conjunto luminoso com padrão entrançado continua a ser um dos mais belos do segmento, algo que a marca aplica a outros modelos, como o Dolphin e o Atto 3.

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A unidade testada veio com a cor Hiking Green metalizada, um extra de 850 euros (na verdade, o único que podemos escolher) que vale claramente a pena face ao cinzento Time Grey, a única cor de série. Com jantes de dezassete polegadas, vidros escurecidos e um visual sólido (resultado do formato ‘caixa’), o Atto 2 transmite mais presença que as dimensões sugerem.

Por dentro, a sensação é a de estarmos ao volante de um modelo de gama superior. A pele vegan estende-se ao tablier, portas e bancos, o que contribui para um ambiente distinto. Há poucas superfícies duras visíveis, com excepção da zona inferior da consola central, onde estão os botões físicos e atalhos directos para o Start & Stop, para seleccionar os modos de condução (‘Eco’, ‘Normal’, ‘Sport’ e ‘Snow’), a intensidade da regeneração ou o desembaciamento do pára-brisas.

Além de ter botões verdadeiramente úteis, a consola central também oferece um bom espaço de arrumação, incluindo um generoso alçapão sob o apoio de braços. Aqui, fica ainda um carregador wireless de 50W para smartphones e duas portas USB-C (a que se juntam mais duas, atrás).

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À frente, os bancos aquecidos com regulação eléctrica e apoio lombar em quatro posições revelaram-se bastante confortáveis, mas, atrás, ouvimos algumas queixas: os bancos duros e a ausência de apoio de braço central foram as principais críticas.

Em termos tecnológicos, o Atto 2 junta boas ideias com algumas frustrações antigas que sentimos sempre que pegamos num BYD. O painel de instrumentos digital de 8,8 polegadas continua excessivamente carregado de símbolos, texto e informação, o que dificulta uma leitura imediata.

Já o ecrã táctil de 12,8 polegadas mantém uma boa fluidez, mas o sistema operativo continua confuso. Há opções que pertencem ao mesmo grupo divididas por menus diferentes, traduções estranhas e erros que já deviam ter sido corrigidos via OTA. A BYD continua, por exemplo, a chamar ‘Ecrã de áudio’ ao sistema multimédia principal e ‘Instrumento’ ao quadrante.

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Pior: ‘Ecrã’ aparece escrito com um acento circunflexo, o que revela pouca atenção ao detalhe, num mercado onde a BYD já teve um automóvel eleito ‘Carro do Ano’ e se assume como uma das principais marcas electrificadas em Portugal. Pedia-se um maior cuidado com a nossa língua.

Depois, os alertas sonoros continuam a ser o maior problema dos automóveis da marca, não apenas pela insistência, mas também pelo próprio tom utilizado. Até o som dos piscas parece um aviso do sistema, o que só aumenta a sensação de excesso de alertas. Também o aviso sonoro de atenção do condutor é particularmente irritante: basta desviar os olhos da estrada por instantes para começar uma sequência constante de beeps.

A solução continua a ser desligar manualmente os alertas antes de arrancar, embora isso obrigue a percorrer menus que, na nossa opinião, continuam pouco intuitivos. Voltamos a lembrar que falta um modo personalizado ou um simples botão que desligue tudo de uma vez, como acontece noutras marcas.

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Mesmo com estes “espinhos”, e em condução, o Atto 2 é um SUV confortável e tranquilo, claramente pensado para famílias e para uma utilização urbana. Os 204 cavalos e os 7,9 segundos dos 0 aos 100 km/h parecem interessantes no papel, mas o acelerador nunca nos dá aquela resposta imediata e mais agressiva que outros eléctricos oferecem, sobretudo no modo ‘Sport’. Existe um ligeiro ganho de disponibilidade, mas nada que nos cole ao banco.

A travagem regenerativa é outro ponto estranho: pode ser configurada entre ‘High’ e ‘Standard’, quer no menu ‘Energia’, quer através do botão físico na consola central, mas a diferença prática é inexistente. O Atto 2 não desacelera de forma mais agressiva em ‘High’ e mantém o mesmo comportamento. Tentámos ainda cruzar esta configuração com a assistência de travagem, ajustável entre ‘Conforto’ e ‘Sport’, mas também aqui não sentimos mudanças relevantes.

Os consumos registados foram bastante equilibrados para um SUV deste tamanho. Terminámos o teste com média final de 17,6 kWh, muito próxima dos 17,4 kWh anunciados pela marca para o ciclo combinado. A bateria de 64 kWh permite autonomias até 430 quilómetros neste departamento e até 604 quilómetros em ambiente urbano. Nos carregamentos rápidos DC, bastam 25 minutos para passar dos 10 aos 80%.

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A versão Comfort, actualmente a única disponível em Portugal, chegou aos stands no final de 2025 com preços a começar nos 36 315 euros. A unidade ensaiada, com a pintura opcional, custa 37 165 euros. Face às antigas versões Active e Boost, esta ganha portas USB mais rápidas, vidros escurecidos e uma bagageira maior: 450 litros, que passam a 1370 com os bancos rebatidos.

O resultado final é um SUV eléctrico que temos de classificar como competente, espaçoso e bem equipado. Falta apenas a marca chinesa resolver aquilo que mais nos irrita nos seus automóveis: o software, os menus e os alertas sonoros. Quando isso acontecer, modelos como o Atto 2 podem tornar-se referências quase incontornáveis no segmento.