Seal 6 DM-i Touring Comfort: conduzimos a única carrinha da BYD que volta a confirmar a medalha de ouro para a sua tecnologia híbrida

Depois de termos levado o Seal 6 DM-i Sedan até à Serra da Estrela, chega agora a vez de perceber o que vale a versão carrinha.
Não fomos tão longe como no ensaio anterior, mas conseguimos perceber que temos aqui outro automóvel para aquelas viagens onde a preocupação com os abastecimentos pode ficar para terceiro ou quarto plano. Tal como o Sedan, a Seal 6 DM-i Touring parte da mesma base técnica, mas adapta a fórmula a um formato mais familiar e, potencialmente, mais atractivo para o mercado europeu.
Com 4,84 metros de comprimento, esta versão Touring Comfort posiciona-se directamente contra propostas como a Volkswagen Passat Variant, a SEAT Leon Sportstourer e a Toyota Corolla Touring Sports. E, dentro da gama BYD, é mesmo um dos modelos com mais potencial de vendas — pelo menos foi isso que a marca disse durante a apresentação.
Face ao outro modelo, as diferenças são claras. Esta carrinha perde ligeiramente em autonomia total (1355 vs. 1445 quilómetros) e também em modo eléctrico (100 vs. 105 quilómetros), mas ganha onde também mais interessa a quem procura este formato: espaço. A bagageira cresce para 675 litros, um salto significativo face aos 491 litros do Sedan.

A base é a já nossa conhecida DM-i, que já experimentámos no Seal U, além do 6 Sedan: um sistema híbrido plug-in (aqui de 212 cavalos) e uma bateria LFP (19 kWh). Como já tínhamos concluído noutros testes, esta abordagem resolve o maior problema dos eléctricos, sem abdicar da condução em modo EV no dia-a-dia; e, como sempre, esta gestão é nossa, dando uso ao selector ‘HEV/EV’ que está na consola central.
Na prática, os números voltam a convencer, como tinha acontecido com o Seal 6 DM-i Sedan: o sistema, que mostra sempre o desempenho dos últimos cinquenta quilómetros, deu-nos 6,1 kWh e 2,3 l/100 km (o equivalente a 4 l/100 km), enquanto a média acumulada ficou nos 3,6 kWh e 4,3 l/100 km, com apenas 1,9 litros de combustível consumidos. É pena não podermos ter aqui mais formas de ver os consumos, pois há marcas que apresentam isto de forma mais intuitiva.
Em termos visuais, há uma dualidade curiosa. As jantes pretas de 18 polegadas (que também estão no outro modelo) dão-lhe presença e algum carácter, mas a traseira adopta uma abordagem demasiado conservadora, que não acompanha o resto do design. Neste capítulo, achamos que o Sedan é mais coeso e diferenciador.

No interior, a experiência é, no geral, positiva. Temos superfícies suaves, detalhes em tecido no tablier e revestimentos que evitam plásticos duros, o que transmite qualidade. No banco do condutor há regulação eléctrica em seis direcções, memória, aquecimento e ventilação; o volante também é aquecido. Ainda assim, confirmámos uma das primeiras impressões que tivemos durante o test-drive da apresentação, sobre o conforto: os bancos têm um assento demasiado plano e duro, ao mesmo tempo que o apoio lombar não envolve o corpo como seria desejável.
A Seal 6 DM-i Touring vem com um ecrã central de 15,6 polegadas e um painel digital de 8,8. No entanto, este é mais um modelo que perde uma das imagens de marca originais da BYD: o ecrã deixou de ser rotativo. Mas, por outro lado, há outras que se mantêm: a organização dos menus continua confusa, com funções do painel de instrumentos escondidas em secções pouco intuitivas, como um separador chamado ‘Ecrã de áudio’, onde podemos fazer ajustes de… brilho e de visualização dos consumos no painel de instrumentos (?).
Por outro lado, a arrumação continua a ser um forte destes BYD (e, numa carrinha, nem podia ser de outra forma). Na consola central temos muito espaço para guardar objectos, com o alçapão fundo e generoso que está sob o apoio de braço. A isto juntam-se soluções práticas, como o carregamento sem fios de 50 W com arrefecimento.

Mas, tal como tínhamos escrito no ensaio do Sedan, o selector de modos de condução (‘Sport’, ‘Snow’, ‘Eco’ e ‘Normal’) assume a forma de um comando rotativo que não é particularmente preciso. Sentimos ainda a ausência de controlo mais avançado da travagem regenerativa, algo que gostávamos de ver com a introdução de patilhas no volante. O facto de haver apenas duas sensibilidades, ‘Confort’ e ‘Sport’, também não ajuda (igual nos modos de assistência à direcção).
No que respeita à condução, há outra conclusão inicial da altura do test-drive do evento de apresentação e que confirmámos: há mesmo um ligeiro atraso na resposta ao acelerador, que se nota sobretudo em arranques. Mesmo no modo ‘Sport’ esperávamos mais desenvoltura, mas também temos de assumir que o comportamento geral é equilibrado e confortável, mesmo à medida daquelas road-trips calmas que passam mais por vias regionais que por auto-estradas.
O que continua a ser mesmo um ponto negativo nos BYD é o comportamento do ecossistema de assistências à condução. O sistema de monitorização de atenção do condutor é excessivamente sensível e intrusivo: estamos sempre a ser bombardeados com alertas de voz irritantes ao mínimo desvio de olhar. Este é mesmo daqueles que tem de ser desligado antes de começarmos a conduzir, sob pena de parecer que temos mais uma pessoa a bordo a dizer para nos concentrarmos na condução.

No final de contas, e naquilo que interessa mesmo, a Seal 6 DM-i Touring (aqui na versão Comfort, por 44 925 euros) confirma aquilo que já tínhamos percebido com o Sedan: a BYD tem aqui uma proposta extremamente racional e competitiva. Os consumos não mentem e os resultados que temos tido, de forma consistente, com arquitectura DM-i provam que esta é a tecnologia HEV do momento, com consumos que, ou estão em linha com aquilo que marca afirma, ou são mesmo mais baixos.
Relativamente ao Sedan, a autonomia baixa (ainda que não de forma crítica) a troco de um aumento de versatilidade e espaço. Não é uma Touring perfeita — há decisões de interface difíceis de justificar e sistemas demasiado intrusivos —, mas é, provavelmente, um dos modelos da BYD com maior capacidade para conquistar novos clientes.










