Dezasseis anos depois, o Leaf chega à terceira geração: está mais futurista que nunca e quer voltar a ser a «referência dos eléctricos em Portugal»

Se há um modelo de automóvel que associamos logo à mobilidade eléctrica é o Leaf. Este automóvel, que a Nissan lançou em 2010, vendeu setecentas mil unidades em todo o mundo e foi mesmo um dos primeiros automóveis eléctricos a chegar às estradas portuguesas.
Dezasseis anos depois, a Nissan acredita que a terceira geração pode voltar a assumir o papel de «referência», embora reconheça que, actualmente, o Leaf vai encontrar um mercado «muito mais competitivo e exigente». Foi precisamente essa ideia que marcou a apresentação nacional do novo modelo, que aconteceu hoje, em Lisboa.
Para Pedro Sá (foto em baixo), COO da Nissan Portugal, o Leaf continua a ser o nome «mais reconhecido da marca» e aquele que melhor representa a sua visão para o futuro: «Nem precisamos de dizer que é 100% eléctrico. Este é o nosso modelo de referência e queremos que continue a ser o automóvel que as pessoas associam à Nissan».

O responsável reconheceu que 2026 não está a correr ao ritmo esperado, com «4128 matrículas e uma quota de mercado de 2,8%», números afectados pelo «atraso» na chegada do novo Micra e, precisamente, desta terceira geração do Leaf. Ainda assim, o COO acredita que estes dois modelos são a «resposta» da marca para recuperar terreno e traçou um objectivo: matricular «cerca de cem unidades do novo Leaf por mês» e regressar em «força ao mercado das frotas».
Em breve, o Micra e o Leaf vão deixar de estar sozinhos nesta batalha; como a marca já tinha anunciado, está confirmado o lançamento de um novo Juke eléctrico, com um design disruptivo, bem como de um modelo urbano do segmento A, ainda sem nome, ambos reservados para 2027. Mas, para já, o momento é mesmo do Leaf: para Filipe Nunes, gestor de produto da Nissan, este é o «lançamento do ano».
Tecnicamente, estamos a falar de um automóvel desenvolvido e afinado «especificamente para as necessidades dos condutores europeus», tanto ao nível da autonomia como do comportamento dinâmico e da eficiência energética. Os «puxadores embutidos, o logótipo iluminado e a inclinação da carroçaria ajudam a reduzir a resistência ao ar, enquanto o pilar A foi deslocado para trás para permitir uma maior entrada de luz natural no habitáculo», destacou Filipe Nunes.

Na traseira, as ópticas assumem-se como um dos elementos mais distintivos do desenho. O formato faz lembrar um ‘2’ e um ‘3’, ou seja, ’23’, um número com significado especial para a Nissan: «A marca usava sempre esse número nas competições automóveis», lembrou Filipe Nunes (foto em cima). No topo, uma estreia na marca: um tecto panorâmico com tecnologia de escurecimento variável, semelhante ao sistema Solarbay da Renault.
O novo Leaf estará disponível com duas baterias: a versão de entrada tem 52 kWh (carregamento rápido de 105 kW), associada a um motor de 130 kW / 177 cavalos e 345 Nm de binário. A autonomia máxima anunciada é de 450 quilómetros em ciclo WLTP, enquanto a aceleração dos 0 aos 100 km/h acontece em 8,35 segundos.
A variante de maior capacidade recorre a uma bateria de 75 kWh (carregamento rápido de 150 kW) e a um motor de 160 kW / 218 cavalos, com 355 Nm de binário. A autonomia sobe para 622 quilómetros WLTP, com consumos anunciados a partir dos 13,7 kWh/100 km, enquanto a aceleração dos 0 aos 100 km/h desce para 7,8 segundos.

Em Portugal, o Leaf chega nas versões Engage, Advance e Evolve, com preços a começar nos 39 900 euros para a versão com bateria de 52 kWh, enquanto a variante equivalente com 75 kWh sobe para 43 300 euros. A Advance custa 45 700 euros com a bateria de menor capacidade e 49 100, na configuração de maior autonomia. No topo da oferta surge o Evolve, disponível apenas com a bateria de 75 kWh, por 51 600 euros.
Desde a versão de entrada, o Leaf vem com jantes de dezoito polegadas, e-Pedal, câmara de 360 graus com detecção de objectos em movimento, quatro modos de condução, sistema Vehicle-to-Load (V2L) e dois ecrãs de 12,3 polegadas. A versão Advance acrescenta o tecto panorâmico, porta da bagageira eléctrica, head-up display, vidros escurecidos e um novo conjunto de ecrãs panorâmicos de 14,3 polegadas.
Já o Evolve vem com bancos em pele sintética, regulação eléctrica e função de massagem para o condutor, além de um sistema áudio Bose com nove altifalantes e colunas integradas no apoio de cabeça do condutor. Esta solução permite que, por exemplo, apenas o condutor oiça o som de chamadas telefónicas, sem «interferir com a música que continua a tocar para os restantes ocupantes».

O habitual test-drive associado a este tipo de apresentações deu-nos a conhecer um automóvel extremamente fácil de conduzir e confortável. O interior assume uma linguagem futurista, embora pouco minimalista, dominada pelos dois ecrãs panorâmicos de 14,3 polegadas com integração total dos serviços Google, incluindo Maps, Assistant e Play Store.
Entre as tecnologias disponíveis, temos quatro níveis de regeneração de energia controlados através de patilhas no volante, e-Pedal, sistema inteligente de manutenção da distância para o veículo da frente e um modo de personalização dos sistemas ADAS, que permite guardar definições preferidas.
A câmara de 360 graus é, igualmente, um dos pontos fortes do Leaf: aqui, o sistema combina oito pontos de vista diferentes e inclui uma funcionalidade que permite visualizar a zona inferior do automóvel, particularmente útil em caminhos mais acidentados ou em manobras apertadas.

Atrás, os passageiros têm duas portas USB-C e saídas de ventilação próprias, enquanto a bagageira oferece 437 litros de capacidade, distribuídos por dois níveis. Mas nem tudo nos pareceu perfeito: o volante concentra um elevado número de botões (foto em cima) e a interacção entre estes comandos, o painel de instrumentos e o sistema de infoentretenimento vai exigir alguma habituação.
Neste primeiro contacto, a navegação pelos menus através destes botões revelou-se menos intuitiva que o restante ambiente tecnológico do automóvel. Por algumas vezes, tocámos em botões que não queríamos, o que fez abrir menus ou seleccionar opções indesejadas.
Ainda assim, a terceira geração do Leaf parece mostrar que a Nissan tem aqui um modelo com potencial, sobretudo ao nível do design bastante diferenciador face àquilo a que estamos acostumados e que deixa para trás o formato arredondado e mais compacto dos dois modelos anteriores.

Mas o mercado que o Leaf vai encontrar em 2026 não tem nada que ver com o de 2018 e, muito menos, com o de 2010, quando tinha uma concorrência que se contava pelos dedos de uma mão, como, por exemplo, o Zoe ou o BMW i3. Fazer deste novo Nissan uma referência será uma missão nada fácil, mas a autonomia, os carregamentos mais rápidos e o nível tecnológico deste modelo podem voltar a meter esta “folha eléctrica” na “árvore” da mobilidade eléctrica nacional.











