Primeiras impressões Mazda CX-6e: este SUV tem bons argumentos de design e conforto, mas pode haver uma “fava” à espreita na tecnologia

Uma silhueta que se distingue do normal (e que nos faz lembrar o MX-30), um habitáculo espaçoso e uma condução orientada para o conforto: são estes os principais argumentos do novo SUV eléctrico da Mazda. O CX-6e entra num segmento (muito) concorrido com duas versões, Takumi e Takumi Plus, e uma campanha que coloca o preço de entrada em Portugal nos 41 543,55 euros.
Desenvolvido no âmbito da parceria com a Changan, este modelo partilha a base técnica com o Mazda6e (que já conduzimos) e, tal como este sedan, também parece ter beneficiado da afinação da marca para o mercado europeu, com uma evidente facilidade de condução. O volante (apesar de ser grande demais para o nosso gosto) tem uma resposta intuitiva e torna-o um automóvel fácil de conduzir, que privilegia a tranquilidade.
A resposta do motor convence mais pela progressividade do que pela aceleração: a potência é entregue de forma linear, sem uma reacção inicial brusca. A travagem também merece destaque, com um pedal previsível e fácil de dosear, sem uma transição incómoda entre a regeneração e a intervenção dos travões convencionais. Num teste mais alargado será possível perceber melhor este tipo de comportamento, embora tenhamos feito um percurso variado: cidade, serra e auto-estrada.
O motor eléctrico tem 258 cavalos (190 kW) e está montado no eixo traseiro; a este bloco, junta-se uma bateria LFP de 78 kWh que dá ao CX-6e uma autonomia WLTP de até «484 km», com um consumo combinado anunciado entre «18,9 e 19,4 kWh/100 km». Em corrente contínua, a potência máxima de 200 kW permite passar dos 10 aos 80% em cerca de 24 minutos; em corrente alternada, o carregador de bordo suporta até 11 kW.

São valores adequados à utilização familiar, embora não cheguem para levar o CX-6e à liderança do segmento, principalmente na autonomia. É no conforto em viagem que este SUV pode aspirar ao «ouro», por ser um dos seus pontos mais fortes. O isolamento dos ruídos aerodinâmicos e de rolamento contribui para um habitáculo silencioso, mesmo em auto-estrada. Atrás, há espaço de sobra para passageiros mais altos, que inclusive poderão viajar de perna cruzada; contudo, isto faz com que a bagageira seja relativamente pequena para a dimensão do CX-6e (são 4,85 x 1,93 metros).
Por dentro, o elemento dominante é o ecrã táctil de 26 polegadas, acompanhado por um HUD, que faz as vezes de um painel de instrumentos convencional. No principal, temos reconhecimento de voz, controlo por gestos, Apple CarPlay e Android Auto sem fios; para o som, há um sistema de áudio com 23 altifalantes.
Mas é na tecnologia que surgem as nossas principais reservas. A dependência do ecrã para funções correntes é excessiva: climatização, modos de condução, abertura do tejadilho e intensidade da regeneração exigem sempre uma interacção com os menus. Fazem falta comandos físicos e, no caso da regeneração, patilhas no volante que permitissem alterar rapidamente a desaceleração. Também não há um verdadeiro modo de condução com um pedal.
Outro dos problemas está nos assistentes de condução, que nem sempre contribuem para a tranquilidade que o restante automóvel proporciona. A manutenção na faixa pode tornar-se demasiado interventiva em estradas estreitas, enquanto os avisos de distracção surgem com demasiada facilidade e se fazem ouvir com uma voz sintetizada irritante.

Desactivar estas funções implica ainda mais interacção, e nada fácil, com o sistema multimédia. Os retrovisores por câmara, obrigatórios no nível de equipamento Takumi Plus, também não convencem pela facilidade de utilização, dado que as imagens são apresentadas em dois ecrãs nas portas, junto ao tablier. Foi uma coisa que não “engolimos”, pelo menos, durante este curto período de condução, o que dá um argumento adicional à escolha da versão Takumi com espelhos convencionais.
O CX-6e é, assim, e pelas nossas primeiras impressões, uma proposta mais convincente pelo design, pelo espaço e pelo conforto que pela dinâmica ou pela ergonomia. O equipamento é abundante, mas a concentração de funções no ecrã (que é gigante, na horizontal) afasta-o da simplicidade de utilização que já tivemos com outros Mazda.
Em Portugal, os preços de campanha já incluem um desconto de 3444 euros sobre o PVPR. O Takumi custa 41 543,55 euros, tanto com interior preto como bege; com o Pack Alloy Black Silver, que acrescenta jantes de 21 polegadas, passa para 42 743,55 euros. O Takumi Plus tem um preço de 44 543,55 euros. A campanha inclui ainda acessórios no valor de 615 euros e 40 euros em cartão de carregamento, com IVA incluído em todos os valores.











